sábado, 19 de novembro de 2011

Tempo de banzo



"O italiano Silvio Belinni, grande serralheiro, de dia sujo, de noite elegante, trajado de terno e gravata costuma dizer:O Carmo que inventou a marcha ré. Tudo vai para trás".

É bom lembrar, era o tempo do Carmo já teve. Tempo de perdas. Tempo de águas. Tempo de migrar para a capital. Tempo de banzo. De saudades.


CASOS DO JOB

Pensa bem, que lindo seria o Carmo com o Jardim da Dona Nicotinha.

Viajar pelo tempo é especialidade dos escritores, é especialidade da palavra. Folheando o caderno onde anotei os "Casos do Job", deparei com relatos do Carmo da década de 40/50. Ele respondeu à pergunta: "o que vocês faziam quando eram jovens?"

"Íamos ao cinema. Passeávamos no jardim. Não tinha televisão. Fazíamos teatro. Em 1944, montamos as peças: Feitiço, de Oduvaldo Viana Filho e Onde está a felicidade, de Luis Iglésias. A diretora era a Nicotinha Paiva.

Dona Nicota Paiva era auto-didata, filha do Senhor Quinzinho (Joaquim Paiva), exímio músico, violonista. Ela frequentou muito o Rio de Janeiro e assistiu a muitas operetas. Era estilista, tinha um ateliê ao lado da minha casa. O povo prestigiava. As damas da sociedade ali se vestiam.
Era ela também quem organizava as finas festas do Carmo de então.

Íamos a bailes, animados pelo conjunto do Tetelo, o Carolina Jazz. Depois, eu participei de dois conjuntos - Ases do Ritmo e CRC Ritmos. Deles, faziam parte o Heraldo, o Airton Peres, o Da Silva e o Lelé. Tocávamos em bailes no Carmo e nas redondezas.

Havia na época no Carmo três bandas de música, uma delas se chamava Corporação Musical Nossa Senhora do Carmo."

Eu perguntei: tem banda de música no Carmo atualmente?
Job respondeu na época que não e comentou a frase de um autor, que dizia: "cidade que não tem banda, quero nem passar perto".

Eu pergunto agora: tem ou não tem banda no Carmo?

Gente, que saudades do Da Silva, eu tinha esquecido dele. Quanto à Dona Nicotinha, foi ela quem plantou o jardim de baixo, que foi abaixo, para tristeza dos carmelitanos.

domingo, 13 de novembro de 2011

A caminho de um parto natural...








Meu filho Ian, nasceu no dia 31/10/2011 às 07:14 da manhã, pesando 2960 e medindo 49cm. Meu parto foi um sucesso e aconteceu exatamente como gostaria.

Após duas semanas em Belo Horizonte, literalmente chocando, na casa da tia Cleise, preparando meu corpo, minha alma e minha mente. Através de muitas leituras, conversas e de práticas de yoga, acupuntura, auriculoterapia, auriculoacupuntura, escalda pés e massagem plantar, no Núcleo de Terapias Integrativas e Complementares do Hospital Sofia Feldman, que desenvolve um trabalho incrível com as grávidas e oferece todo o apoio para um parto natural, tudo gratuito.

Sábado 29/10 - participei da Roda Bem Nascer no Parque das Mangabeiras, onde assisti à palestra sobre o hormônio ocitocina e ouvi relatos lindos sobre partos naturais. Na tarde do mesmo dia fui almoçar com minha prima Tais, que veio passar o feriado comigo e me proporcionou dias incríveis.

Domingo 30/10 - fomos conhecer o Instituto Cultural Inhotim, em Brumadinho, um extenso acervo da Arte Contemporânea e um maravilhoso Jardim Botânico, que contou com a colaboração do paisagista Roberto Burle Marx. Foi um dia de muita caminhada pelos exuberantes jardins, contemplando as artes e a majestade da natureza.

Estava imersa na partolândia sem a menor noção de que na madrugada de segunda-feira 31/10 daria início ao trabalho de parto às 3h30 da manhã, e já em ritmo acelerado, minhas contrações foram intensas desde o início e seus intervalos irregulares de 5min, 3min, 2,min, 1min, 4min intervalos muito curtos, eu muito calma fiquei no meu quarto, fui relaxar no chuveiro e às 5h30 minha tia Cleise acordou e abriu a porta do meu quarto para saber porque estava com a luz acesa, relatei o que estava acontecendo e ela me perguntou se já havia comunicado minha doula e meu médico, disse que não que poderíamos esperar até o dia amanhecer, mas ela preocupada ligou para o Dr. Marco Aurélio, que achou que deveria me avaliar imediatamente, fui de carona para o hospital com ele mesmo, que passou para nos pegar às 6h30, entrei com ele na maternidade Santa Fé diretamente para a sala de exame que para sua surpresa, meu trabalho de parto já estava adiantado e com 9cm de dilatação, ele pediu para que eu ficasse na sala de pré-parto enquanto ele desceu com minha tia para fazer a internação e se trocar para fazer o parto. Na sala de pré-parto fiquei no chuveiro, minha bolsa estourou e dei início ao processo expulsivo imediatamente, quando meu médico voltou todo paramentado lhe informei o andamento, fomos transferidos imediatamente para a sala de parto onde a cadeira de cócoras foi levada, chegando lá foi o tempo de passar para a cadeira de cócoras e meu filho nascer, o Dr. Marco Aurélio não teve tempo nem de por a luva, o Ian foi mais rápido.

Aí foi só alegria não fiz analgesia, nem episiotomia, o Ian ficou no meu colo desde o nascimento por 1h, na sala de parto estava somente a enfermeira e o meu médico, minha tia chegou da internação e o Ian já havia nascido, minha doula Isabel chegou e também ele já havia nascido, ela me confortou no momento seguinte ao parto me auxiliando e me orientando. Os procedimentos com o Ian também foram exatamente como eu gostaria, sem intervenções desnecessárias.

Foi tudo tão rápido e intenso que fiquei abobalhada, a sensação de dar a luz e sentir meu filho nos braços pela primeira vez é indescritível, a cada dia fico mais apaixonada pelo Ian, por suas carinhas lindas, seu choro, seu soluço e seu olhar de imenso amor. Ele é muito fofo e amado,

Nada como ter um parto natural, a recuperação é muito rápida e a disposição imediata.

Amanhã o Ian completa 1 semana de vida!

Fico em Belo Horizonte até quarta-feira 09/11 e na quinta-feira 10/11 volto e dou início a minha nova vida em Carmo do Rio Claro, até lá!

Obrigada a todos que me apoiaram e me acompanharam nesta jornada!

Tia Cleise e família obrigada pela disponibilidade e pelo acolhimento que estou recebendo na sua casa!

Papai e Mamãe pelo apoio, amor e ajuda nesta fase da minha vida!

Beijos e saudades de todos!

Para saber mais acesse:

www.nucleobemnascer.com.br

www.bemnascer.org.br

www.yogabemnascer.blogspot.com

www.inhotim.org.br

www.sofiafeldman.org.br



sábado, 12 de novembro de 2011

Amor de família

Bem-vindo ao mundo Ian!!! Já começou bem. Nasceu na família mais FODA do mundo!!! Seus natais serão sempre os mais animados, as férias de julho numa fazenda que viu tantos de nós crescer e que agora será marcada também pelos seus passos, feriados regados a pão-de-queijo, primos, tias, avós, um monte de gente que vai te passar valores hoje tão raros! Agora que você é um de nós, amor nunca lhe faltará.
Rani Figueiredo Melo

Olha que mensagem mais linda que a Rani (essa linda do meio da foto), filha da Fatinha, minha irmã, para o Ian, filho da Valerinha. O mais importante é perceber que conseguimos passar para a descendência de Edmundo Soares os valores tão imprescindíveis e que ele nos transmitiu, além de toda a família. Querida Rani, eu brindo com você a sua perspicácia, a sua criatividade com as palavras, o seu coração generoso. Obrigada por tão lindas palavras! Que preservemos sempre essa nossa união familiar, esse nosso amor, que é tudo o que Jesus Cristo queria para a humanidade. A família é a célula, célula doente, pessoas doentes. Célula sadia, pessoas sadias. E o amor é o unguento, cura e acalenta os seres humanos!



Momentos dos anos 70!

Colocar as cadeiras na frente das era normal. Essas, da Casa da Nivalda, viviam à porta. Muitos passaram por estas cadeiras. Ai na Foto, Maria do Carmo Soares, Claudia, Edna, Toni e eu. As meninas eram comportadas e ajudavam a preservar as sublimes pernas com as mãos. Momento inesquecível.
O Carmo era tranquilo. Nesa foto, as árvores do jardim anterior ao atual ainda estavam pequenas. Cadê os carros? Talvez essa foto seja ainda mais antiga...

Abaixo, a Codô, Cláudia, Carla, eu lá atrás, Rodinha, Tereza, Cléa Lúcia e Eliane, num baile do
Gec.

A turma da Dujinha, em cima.
A turma da Licinha, do Edmundo. Na foto: a Marisa, Heloisa, Zé Trovão e lá atrás ???

Diferentes pessoas, diferentes turmas, todos nós curtimos muito o Carmo na década de 70. O Carmo era um misto de mato e praia de água doce. As férias eram animadíssimas. Registrados acima alguns momentos eternizados nas fotos.

Maria do Carmo Soares de volta ao Carmo!

Quem tirou a foto foi a nana (nanademinas.com.br), na estréia da peça Crônica de uma Casa Assassinada, no Teatro Alterosa. A Pepeca é a terceira da esquerda para a direita.

Minha prima, Maria do Carmo Soares, enfermeira e atriz, que participa de várias montagens de Gabriel Vilela tem agora uma casa no Carmo, naquela bairro ao lado do Honduras, que agora me foge o nome. Mas o certo é que ela e suas irmãs, Maria da Graça, Maria Alice e seu marido Álvaro visitam constantemente a cidade. Com a nossa querida "Pepeca" chegarão artistas. Sua proposta é colaborar com a cultura da cidade.

Eles são filhos do tio Luiz Figueiredo e da Tia Santa, ambos falecidos, mas que escreveram uma história de amor. Eles são primos. Tio Luiz é filho da Vó Alice e Tia Santa, do Tio Piruá. Como o namoro era proibido entre primos, eles fugiram juntos e se casaram. Foram para o Paraná, Jaguapitã. Da família, foi mais um que migrou para o Sul. Também Tia Maria e Tio Toninho fugiram para o Paraná, já que o preconceito entre raças não permitia casamentos de brancos com negros. Eles eram professores. Os últimos anos, que foram muitos, ela morreu com 95 anos e lúcida, passou em São Paulo, num apartamento na Vila Mariana. Lá, ela lia todos os jornais e se mantinha atualizada, o que preservou sua mente até o final da vida. Tia Santa foi enterrada em Jaguapitã com pompas de educadora. Além dos irmãos citados acima, eles ainda tiveram a Joana e o Gordo, que faleceram e deixaram muitas saudades, o Magro e o Nenem, que mora em Passos.


Maria do Carmo Soares iniciou sua carreira no teatro com o Grupo Mambembe. Ali, se revelaram os hoje globais, Rosi Campos e Genésio de Barros, que namorei naqueles tempos gostosos da juventude. Rosi e Genésio frequentaram o Carmo na década de 70, foram à Fazenda Água Limpa e compartilharam muitos dias na Casa da Nivalda. Hoje, Pepeca trabalha mais com Grabriel Vilela, é uma das personagens da peça "Crônica de uma Casa Assassinada" (veja crítica em postagem anterior), onde fez uma governanta que lembrava as nossas avós, as nossas "empregadas". Ela é também excelente enfermeira (aposentou-se recentemente) e socorre a todos os familiares em casos de doença. Uma dádiva para a família e para o Carmo.

Sejam muito vindos à Carmo do Rio Claro!

Português para estrangeiros, inglês para brasileiros

Carla e eu em frente nossa casa no Carmo.

Minha irmã Carla Soares está com um blog super interessante: de português para estrangeiros. Para contar o português, ela entra na história da língua e a coloca num contexto cultural brasileiro. Ela sempre foi muito espirituosa, engraçada. Ela vai colocar o seu conhecimento em linguagem simples e compreensível para nossos irmãos de outros países. Visitando o blog, entendi que, também para nós, brasileiros, que estudamos inglês será uma excelente ferramenta. Vale a pena visitar e se tornar seguidora (o) do blog da Carla.

howtolearnportuguese.blogspot.com

terça-feira, 1 de novembro de 2011

NASCEU IAN!

Depois de um trabalho de parto rapidíssimo, exatas quatro horas e quinze minutos, nasceu ontem, às 7h14, Ian Soares, filho de Valéria Soares, minha sobrinha. Foi um dos que ultrapassaram a marca de 7 bilhões de seres humanos na Terra. O parto foi assistido pelo obstetra, Dr. Marco Aurélio Valadares, meu médico, compadre e fundador da ong Bem Nascer junto comigo. Ela resolveu ter o filho em Belo Horizonte, com um médico certo, para não correr risco de uma cesariana desnecessária em São Paulo.
Tudo correu como desejado. Dr. Marco Aurélio nos pegou em casa às 6h15, fomos para a Maternidade Santa Fé. Enquanto eu preparava a admissão na recepção, o nenê nasceu. Ela chegou na maternidade já com 9 cm de dilatação. Estava calma. Depois comentou "o parto não passa de uma cólica". Não tomou anestesia, nem ocitocina sintética e não precisou de episiotomia (corte vaginal) e não rompeu o períneo. Naturalíssimo o parto!
Ian nasceu com 2.950gr e 49cm. É um fofo!
Nem preciso dizer que estou babando nesse sobrinho e muito feliz por ter participado de tão sublime momento!

sexta-feira, 28 de outubro de 2011

I Encontro de Carros Antigos de Carmo do Rio Claro

Silvia Oliveira, filha de Antônio Peres, mandou mensagem informando que Carmo do Rio Claro vai receber em 6 de novembro de 2011, o I Encontro de Carro Antigos. Lá estará o antigo Fordinho do Dr. Júlio Aguiar. Segundo ela, está fazendo um vídeo sobre este carro, que foi recentemente restaurado.
Silvia, quero sim postar o seu vídeo.
Um abraço.

domingo, 23 de outubro de 2011

Que venha o Ian...

Valéria no topo do mundo, nas redondezas do Glória, Delfinópolis. Um lugar divino, uma riqueza de águas, tem mais de 180 cachoeiras, entre montanhas e matas.
Menina bonita, da perna grossa, vestido curto, papai não gosta!


Quem diria, tão pequenininha, e agora está aqui grávida, esperando o Ian. Estas fotos são de Valéria Soares, minha sobrinha, filha do Joaquim José. Tenho a grata satisfação de conviver com ela nessa etapa final de espera do nenê. Ela escolheu ter seu filho em Belo Horizonte, para garantir um médico e assistência humanizada. Vai ser assistida pelo médico Dr. Marco Aurélio Valadares, que me acompanhou em quatro partos, é meu compadre e fundador da ong Bem Nascer junto comigo.

E chegou a alegria...

Esta foto foi tirada no aniversário de 90 anos da minha Avó Alice, ao lado do Tio Toninho, o primeiro careca em pé, está seu filho Jair e meu irmão, Joaquim José. O primeiro sentado é o marido da Penha, uma prima e o outro não sei quem é.
A sanfona do Tio Toninho era mais ou menos igual a esta, que está no museu do Gonzagão. Ele chegava cantando ... vem cá cintura fina, cintura de pilão, cintura de menina, vem cá meu coração... Primeiro chegava o seu grito, poderoso e alegre que varava os corredores da Fazenda Água Limpa. Chegou o Tio Toninho. Chegou a alegria, a irreverência, a infância, a aventura... E chegou o forró do Gonzagão. Ele chegava descalço, calças arregaçadas, cantando e tocando. E pouco depois o salão virava uma festa, um baile. Vinha gente da colônia, da cozinha, dos arredores. Toninho chegou com a Maria. Tia Maria merece também ser contada.

Uma negra de fala gostosa, sempre de esmaltes roxos rosados, uma telinha no cabelo e de botas sete léguas, que serviam para seguir seu homem nas aventuras pelas noites, caçando rãs ou pelos dias pegando passarinhos, para depois soltá-los. Os dois romperam fronteiras de cor e de raça. Tia Maria era negra e era empregada doméstica da Tia Lourdes. Em tempos orgulhosos, Toninho se apaixona por Maria. Vovó repetia seu mantra: o certo é branco com branco e preto com preto e contava de um padre que trocou dois casais na igreja. Realmente acreditava que era o certo. Do lado dos negros, a mesma objeção. Os irmãos achavam que o rapaz só queria aproveitar de Maria. Ele avisava no seu ouvido: quando você ouvir um toque de Figueiredo em sua janela, prepare suas coisas, que eu vim te buscar. A partir daí, ela dormiu de malas prontas. Dias depois, ela ouve um toque de Figueiredo na madrugada. Sem hesitar, pula a janela e foge com Toninho noite adentro pelas estradas. Não sei se urubu Pepita foi voando em cima deles, mas com certeza na minha literatura ele irá e pousará várias vezes no ombro de João Garavião, que é o nome do meu tio no livro Hortênsia Paineira - Inventário das Águas que escrevi.

O Job Milton contou-me outras histórias:

"Ele tinha uma força hipnótica nos olhos, que atraía os pássaros que vinham pousar em sua mão. Ele criou ratos brancos no bolso, grália, aranhas na janela, numa coexistência pacífica com os animais. Ele gostava muito de pegar rã no brejo."

sexta-feira, 23 de setembro de 2011

VEIA LUSITANA


Recebi esse texto do meu querido irmão, Edmundo Figueiredo, que acordou um dia às seis da manhã inspirado e gerou essa poesia. E essa foto lindíssima, ao fundo a Serra da Tromba, acredito que ele tenha tirado lá na casinha do Guel.

MEGALOMANIA HÍDRICA

Era uma vez um rio,

Que, apesar de grande,

Sonhava, para seu brio,

Se tornar mais gigante.

E, olha só que desatino,

Cresceu muitas vezes, mil,

Peças pregadas pelo destino,

Virou represa o que era rio.

O povo, desconfiado,

Com as águas nas vargens,

Via aquelas cenas, admirado,

Estatelado em suas margens.

A água, subindo, devagar,

E alguns não acreditando,

Não querendo fraquejar,

Só puderam ver o resgate chegar.

E, no olhar do resgatado,

Um misto de medo e vazio,

Não se avalia em que estado,

Deixou seu coração, o rio.

Fortunas em terras se foram,

Tal qual areia entre os dedos,

Para fazendeiros que choram,

O que será do futuro, seu medo.

A cidade se quedou, empobrecida,

Era fila de pobres nas casas,

De gente que carecia de comida,

E ainda não tinham dali, batido asas.

E olha que não foi pouca gente não,

Que foi prá outras bandas,

Defender seu ganha-pão,

Levando consigo, saudades, nada brandas.

Mas o tempo das vacas magras,

Tinha seus dias contados,

Foi findando, aos poucos, nestas plagas,

Mesmo tendo tanto tempo durado.

E como não há mal que não se acabe,

Os bons tempos de fartura,

Ironia do destino, nunca se sabe,

Voltaram graças a represa, sua formosura.

E o mar de água doce,

Antes desgraça da cidade,

Virou a redenção que o rio trouxe,

Contrariando o início, a novidade.

Hoje não vivemos sem ela,

A riqueza é dela grande parte,

Pelo fato de ser tão bela,

E inspirar diversas artes.

E, no frigir dos ovos,

A saga deste rio aventureiro,

Virou, para todos os povos,

Gigante e de turismo, roteiro.

quarta-feira, 7 de setembro de 2011

Um pouco de poesia!

O MEDO

No dia em que comunguei pela primeira vez

A hóstia não sangrou

Dissolveu no céu da minha boca

Mas começou a chover

E três dias choveu em seguida

E não adiantava ramo santo ou gritos de Santa Bárbara

Era preciso confessar e guardar a alma

Pra livrar-me do fogo do inferno.

- Padre, perdoe-me os pecados esquecidos.

Aquele sobre o qual não tinha controle

E haveria de pecar de novo

Mas quando a chuva começava

Eu levava lá para dentro

Soldadinhos de chumbo, bolinhas de gude, músicas de roda, cecelêcelêpacê cecelêumpédelê

Onde tu vais toco de mio, onde tu vais toco de mio..

Bonecas de pano,

Lençóis na cabeça.

Não levava o medo

Até que o livro ilustrado vinha parar na minha mão

Purgatório inferno fogo

Purgavam minha inocência

Eu me benzia o credo em cruz

Beijava o escapulário de Maria

Pra não ver o escuro de sombras que se formava

Em torno da luzinha de azeite.

Meu pai e minha já dormiam de mãos dadas

Sorrindo

Eu escutava quatro galos cantando

Sons de assombrações

Até mexer na cama com bastante descuido

Pra acordá-los inocente

Aí, enquanto eles pelejavam para dormir de novo

Eu sonhava com barquinhos de papel

Boiando na enxurrada

Amigas para sempre!



A Cláudia, a Cecília e a Carla, numa festa junina no anexo do Carmo Hotel. Elas estão muito bem!

Parabéns pra você, nessa data querida! Muitas felicidades! Muitos anos de vida!

No próximo dia 9 de setembro, minha irmã Alice Beatriz Pereira Soares, faz 50 anos. Está preparando uma festa para a família. Para ela, um ramo de beldroega!!! E muitas felicidades!!!


A Licinha e o nosso querido João.


Uma foto histórica. Uma saudade!

Casamento do Jair com a Claudete. Ao fundo, os padrinhos: minha mãe Nivalda, novinha e meu pai, Edmundo Soares, pouco antes de morrer.

A Genealogia reflete um retrato da sociedade


Esta foto dá uma espécie de saudades de um tempo que ficou lá atrás...

O prólogo do livro Genealogia da Família Vilela de Carmo do Rio Claro, escrito por minha irmã, Ana Maria Vilela Soares, e assinado por Antônio Cândido de Melo e Souza, faz importantes apontamentos.

"O resultado não é apenas um conjunto impressionante sobre milhares de pessoas, mas também estímulo para refletirmos sobre o destino dos grupos familiares. Aqui aparecem mulheres e homens da mais variada condição, situados em níveis diferentes da estrutura social, ilustrando toda a dama das profissões, desde as mais cotadas até as mais modestas, fazendo pensar como as famílias são uma espécie de resumo da sociedade global, na medida em que abrangem tantas atividades e condições.

Por exemplo, no começo do livro as pessoas são constituídas por gente do campo.
"Era o tempo do Brasil pouco urbanizado, no qual a absoluta maioria da população se dedicava às fainas rurais. Fazendeiros, sitiantes, simples trabalhadores viviam de plantar e de criar gado, ocupando de forma esparsa o território quase vazio."

E, aos poucos,
"acompanhando a mudança econômica e social, surgiram outras atividades, que a genealogista registra, numa extraordinária diversificação do grupo familiar: profissões liberais, magistério, funcionalismo público, comércio, administração, ofícios. Os mais capazes, ou mais afortunados, sobem, enquanto outros descem. Uns são abastados, outros pobres. Uns estudam e se ilustram, outros ficam perto da ignorância. Aos poucos as mulheres vão invadindo a seara dos homens e exercendo atividades ... "

"Caso igualmente significativo é o do casamento, que a princípio tem forte tendência monogâmica e une apenas membros da etnia básica. À medida que o tempo corre, a exogamia prevalece e são cada vez mais frequentes as uniões com outras etnias, acompanhando a incorporação à sociedade dos imigrantes e seus descendentes. Aparecem então os sobrenomes italianos, espanhóis, alemães, sírio-libaneses, de tal modo que o leitor sente o movimento de transformação da sociedade através do destino de um grupo familiar. Quer dizer que Ana Maria não apenas elaborou uma espécie de catálogo genealógico, mas construiu um panorama histórico-social que reflete a sociedade".

Se você é um Vilela de Carmo do Rio Claro e redondezas, seu nome deve estar lá. O livro esta à venda na Loja da Associação dos Artesãos de Carmo do Rio Claro, que fica ao lado da casa da autora, na rua Dr. Monte Razo, pertinho da praça principal.

OS ILUSTRES!

No lançamento da Geneallogia da Família Vilela encontrei com a Celenê e a Aretuza, adorei! Ela havia visitado o meu blog e sua sobrinha, filha da Dedete disse que não tinha visto foto da mãe no blog. Segue aí embaixo a foto da Dedete novinha, com aqueles longos cabelos e mesmo no preto e branco, deu para ver os olhos verdes; a saudosa Angela do Zé Ganguinha, a Cecília, a Cacilda... Estamos com saudades destas carmelitanas ausentes.

Sr. Milton Araújo Pereira. Um homem reto. Um excelente e dedicado professor. Eu ainda tive a honra de ter aula de Moral e Cívica com o Tio Milton, que gerou com a Tia Lourdes, irmã da Vó Alice, uma árvore muito fecunda. O hino do Carmo - letra e música, foi composto pelo Lourenço e o Job Milton (meu contador de casos). Seu pai contribuiu muito para Carmo do Rio Claro.

Tio Milton chegou ao Carmo de vapor e depois de cavalo, atendendo a uma vaga para professor de Português e Matemática. Filho do Comendador Lourenço de Araújo Pereira e Da. Deolinda Penna de Araújo Pereira. Veio de Guaratinguetá em 28 de fevereiro de 1898. Tinha então 19 anos. Também trabalhou na Prefeitura do município.

Em 11 de setembro de 1923, casou-se com Maria de Lourdes Figueiredo, filha de Antônio Alves de Figueiredo e Da. Corina Isaura de Figueiredo. Com Tia Lourdes, que faleceu em 1979, teve seis filhos: Lourenço Antônio, Deolinda, Job Milton, Corina, Antônio Benedito e Milton Luís. Todos eles contribuíram muito para a cultura da cidade.

Tio Milton foi professor do Colégio Olavo Bilac, Colégio São Paulo, do Grupo Cel. Manoel Pinto, do qual também foi diretor, Da Escola Normal Sagrados Corações, das Irmãs da Providência, do Ginásio Pedro II (depois Ginásio Barros Leal), do Ginásio Cônego Leopoldo, do Colégio Montfort e da Escola Estadual Monsenhor Mário Araújo Guimarães.

As informações foram recolhidas no livro maravilhoso de Celeste Noviello Ferreira em seu "O Quadro de Saudades-Carmo do Rio Claro", em "Os Ilustres".

CASOS DO JOB - CURIOSIDADES


"Nenem do Eustáquio era um personagem. Quem o conheceu, poderá confirmar. Uma vez, ele montou um parque de diversão lá no São Benedito e uma peça de teatro. O Ademir, com seus cabelos louros e olhos azuis fazia a bela adormecida."


Tio Duduca declamava:


"As almas de muita gente,
são como o rio profundo.
A tona, tão transparente,
mas quanto lodo no fundo."

E a trova do Belmiro Braga de que o Vovô Soares gostava é:

"Quanto mais me aproximo da velhice,
As coisas do meu tempo mais venero,
porém, não sei que esquisitice,
as moças do meu tempo eu não tolero."

Mais uma do Tio Duduca, enviado por Ana Maria Vilela Soares:

"Sino, coração da aldeia,
Coração, sino da gente.
Um a sentir quando bate,
Outro a bater quando sente."

Placa de caminhão

Riu de mim?
Vai ver seu fim

(Nenem do Eustáquio)

quinta-feira, 1 de setembro de 2011

O SOTAQUE DAS MINEIRAS

Felipe Peixoto Braga Netto (1973), afirma que não é jornalista, não é
publicitário, nunca publicou crônicas ou contos, não é, enfim, literariamente
falando, muita coisa, segundo suas próprias palavras.
Alagoano, mora em Belo Horizonte e ama Minas Gerais.
Ele diz que nunca publicou nada, mas a crônica abaixo foi extraída do livro
dele, 'As coisas simpáticas da vida', publicada pela "Landy Editora", São Paulo
(SP) - 2005, pág. 82.

O SOTAQUE DAS MINEIRAS
(F.P.B. Netto)

O sotaque das mineiras deveria ser ilegal, imoral ou engordar...
Afinal, se tudo que é bom tem um desses horríveis efeitos colaterais, como é que o
falar, sensual e lindo das moças de Minas ficou de fora?
Porque, Deus, que sotaque!
Mineira devia nascer com tarja preta avisando: 'ouvi-la faz mal à saúde'.
Se uma mineira, falando mansinho, me pedir para assinar um contrato, doando tudo
que tenho, sou capaz de perguntar: 'só isso?'.
Assino, achando que ela me faz um favor...

Eu sou suspeitíssimo.
Confesso: esse sotaque me desarma.
Certa vez quase propus casamento a uma menina que me ligou por engano, só pelo
sotaque.

Os mineiros têm um ódio mortal das palavras completas.
Preferem, sabe-se lá por que, abandoná-las no meio do caminho.
Não dizem: pode parar, dizem: 'pó parar’.
Não dizem: onde eu estou?, dizem: 'onde queu tô.'
Os não-mineiros, ignorantes nas coisas de Minas, supõem, precipitada e levianamente,
que os mineiros vivem - lingüisticamente falando - apenas de uais, trens e sôs.

Digo-lhes que não.
Mineiro não fala que o sujeito é competente em tal ou qual atividade.
Fala que ele é bom de serviço.
Pouco importa que seja um juiz, um jogador de futebol ou um ator de filme pornô.
Se der no couro - metaforicamente falando, claro - ele é bom de serviço.
Faz sentido...

Mineiras não usam o famosíssimo tudo bem.
Sempre que duas mineiras se encontram, uma delas há de perguntar pra outra: 'cê tá
boa?'.
Para mim, isso é pleonasmo.
Perguntar para uma mineira se ela tá boa é desnecessário...

Há outras.
Vamos supor que você esteja tendo um caso com uma mulher casada.
Um amigo seu, se for mineiro, vai chegar e dizer: - Mexe com isso não, sô (leia-se: sai
dessa, é fria, etc).
O verbo 'mexer', para os mineiros, tem os mais amplos significados.

Quer dizer, por exemplo, trabalhar.
Se lhe perguntarem com o que você mexe, não fique ofendido.
Só querem saber o seu ofício.

Os mineiros também não gostam do verbo conseguir.
Aqui ninguém consegue nada.
Você não dá conta.
Sôcê (se você) acha que não vai chegar a tempo, você liga e diz: '- Aqui, não vou dar
conta de chegar na hora, não, sô.'

Esse 'aqui' é outra delícia que só tem aqui.
É antecedente obrigatório, sob pena de punição pública, de qualquer frase.
É mais usada, no entanto, quando você quer falar e não estão lhe dando muita
atenção: é uma forma de dizer 'olá, me escutem, por favor'.
É a última instância antes de jogar um pão de queijo na cabeça do interlocutor.

Mineiras não dizem 'apaixonado por'.
Dizem, sabe-se lá por que, 'apaixonado com'.
Soa engraçado aos ouvidos forasteiros.
Ouve-se a toda hora: 'Ah, eu apaixonei com ele...'
Ou: 'sou doida com ele' (ele, no caso, pode ser você, um carro, um cachorro).

Eu preciso avisar à língua portuguesa que gosto muito dela, mas prefiro, com todo
respeito, a mineira.
Nada pessoal
Aqui certas regras não entram.
São barradas pelas montanhas.

Por exemplo: em Minas, se você quiser falar que precisa ir a um lugar, vai dizer: - 'Eu
preciso de ir..'
Onde os mineiros arrumaram esse 'de', aí no meio, é uma boa pergunta...
Só não me perguntem!
Mas que ele existe, existe.
Asseguro que sim, com escritura lavrada em cartório.

No supermercado, o mineiro não faz muitas compras, ele compra um tanto de coisa...
O supermercado não estará lotado, ele terá um tanto de gente.
Se a fila do caixa não anda, é porque está agarrando lá na frente.
Entendeu? Agarrar é agarrar, ora!
Se, saindo do supermercado, a mineirinha vir um mendigo e ficar com pena,
suspirará: '- Ai, gente, que dó.'
É provável que a essa altura o leitor já esteja apaixonado pelas mineiras...
Não vem caçar confusão pro meu lado!
Porque, devo dizer, mineiro não arruma briga, mineiro 'caça confusão'.
Se você quiser dizer que tal sujeito é arruaceiro, é melhor falar, para se fazer
entendido, que ele 'vive caçando confusão'.
Ah, e tem o 'Capaz...'
Se você propõe algo a uma mineira, ela diz: 'capaz' !!!
Vocês já ouviram esse 'capaz'?
É lindo. Quer dizer o quê?

Sei lá, quer dizer 'ce acha que eu faço isso'!? - com algumas toneladas de ironia...
Se você ameaçar casar com a Gisele Bundchen, ela dirá: 'ô dó dôcê'.
Entendeu? Não? Deixa para lá.
É parecido com o 'nem...' . Já ouviu o 'nem...'?
Completo ele fica: '- Ah, nem...'
O que significa?
Significa, amigo leitor, que a mineira que o pronunciou não fará o que você propôs
de jeito nenhum.
Mas de jeito nenhum mesmo.
Você diz: 'Meu amor, cê anima de comer um tropeiro no Mineirão?'.
Resposta: 'nem...'
Ainda não entendeu? Uai, nem é nem.
Leitor, você é meio burrinho ou é impressão?
Preciso confessar algo: minha inclinação é para perdoar, com louvor, os deslizes
vocabulares das mineiras.
Aliás, deslizes nada.
Só porque aqui a língua é outra, não quer dizer que a oficial esteja com a razão.
Se você, em conversa, falar: 'Ah, fui lá comprar umas coisas...'..
- Que's coisa? - ela retrucará.
O plural dá um pulo.
Sai das coisas e vai para o 'que'!
Ouvi de uma menina culta um 'pelas metade', no lugar de 'pela metade'.
E se você acusar injustamente uma mineira, ela, chorosa, confidenciará:
- Ele pôs a culpa 'ni mim'.
A conjugação dos verbos tem lá seus mistérios, em Minas...
Ontem, uma senhora docemente me consolou: 'preocupa não, bobo!'.
E meus ouvidos, já acostumados às ingênuas conjugações mineiras nem se espantam.
Talvez se espantassem se ouvissem um: 'não se preocupe', ou algo assim.
Fórmula mineira é sintética e diz tudo.
Até o tchau, em Minas, é personalizado.
Ninguém diz tchau, pura e simplesmente.
Aqui se diz: 'tchau pro cê', 'tchau pro cês'.
É útil deixar claro o destinatário do tchau...