
sábado, 19 de novembro de 2011
Tempo de banzo

CASOS DO JOB
Pensa bem, que lindo seria o Carmo com o Jardim da Dona Nicotinha.domingo, 13 de novembro de 2011
A caminho de um parto natural...



Após duas semanas em Belo Horizonte, literalmente chocando, na casa da tia Cleise, preparando meu corpo, minha alma e minha mente. Através de muitas leituras, conversas e de práticas de yoga, acupuntura, auriculoterapia, auriculoacupuntura, escalda pés e massagem plantar, no Núcleo de Terapias Integrativas e Complementares do Hospital Sofia Feldman, que desenvolve um trabalho incrível com as grávidas e oferece todo o apoio para um parto natural, tudo gratuito.
Sábado 29/10 - participei da Roda Bem Nascer no Parque das Mangabeiras, onde assisti à palestra sobre o hormônio ocitocina e ouvi relatos lindos sobre partos naturais. Na tarde do mesmo dia fui almoçar com minha prima Tais, que veio passar o feriado comigo e me proporcionou dias incríveis.
Domingo 30/10 - fomos conhecer o Instituto Cultural Inhotim, em Brumadinho, um extenso acervo da Arte Contemporânea e um maravilhoso Jardim Botânico, que contou com a colaboração do paisagista Roberto Burle Marx. Foi um dia de muita caminhada pelos exuberantes jardins, contemplando as artes e a majestade da natureza.
Estava imersa na partolândia sem a menor noção de que na madrugada de segunda-feira 31/10 daria início ao trabalho de parto às 3h30 da manhã, e já em ritmo acelerado, minhas contrações foram intensas desde o início e seus intervalos irregulares de 5min, 3min, 2,min, 1min, 4min intervalos muito curtos, eu muito calma fiquei no meu quarto, fui relaxar no chuveiro e às 5h30 minha tia Cleise acordou e abriu a porta do meu quarto para saber porque estava com a luz acesa, relatei o que estava acontecendo e ela me perguntou se já havia comunicado minha doula e meu médico, disse que não que poderíamos esperar até o dia amanhecer, mas ela preocupada ligou para o Dr. Marco Aurélio, que achou que deveria me avaliar imediatamente, fui de carona para o hospital com ele mesmo, que passou para nos pegar às 6h30, entrei com ele na maternidade Santa Fé diretamente para a sala de exame que para sua surpresa, meu trabalho de parto já estava adiantado e com 9cm de dilatação, ele pediu para que eu ficasse na sala de pré-parto enquanto ele desceu com minha tia para fazer a internação e se trocar para fazer o parto. Na sala de pré-parto fiquei no chuveiro, minha bolsa estourou e dei início ao processo expulsivo imediatamente, quando meu médico voltou todo paramentado lhe informei o andamento, fomos transferidos imediatamente para a sala de parto onde a cadeira de cócoras foi levada, chegando lá foi o tempo de passar para a cadeira de cócoras e meu filho nascer, o Dr. Marco Aurélio não teve tempo nem de por a luva, o Ian foi mais rápido.
Aí foi só alegria não fiz analgesia, nem episiotomia, o Ian ficou no meu colo desde o nascimento por 1h, na sala de parto estava somente a enfermeira e o meu médico, minha tia chegou da internação e o Ian já havia nascido, minha doula Isabel chegou e também ele já havia nascido, ela me confortou no momento seguinte ao parto me auxiliando e me orientando. Os procedimentos com o Ian também foram exatamente como eu gostaria, sem intervenções desnecessárias.
Foi tudo tão rápido e intenso que fiquei abobalhada, a sensação de dar a luz e sentir meu filho nos braços pela primeira vez é indescritível, a cada dia fico mais apaixonada pelo Ian, por suas carinhas lindas, seu choro, seu soluço e seu olhar de imenso amor. Ele é muito fofo e amado,
Nada como ter um parto natural, a recuperação é muito rápida e a disposição imediata.
Amanhã o Ian completa 1 semana de vida!
Fico em Belo Horizonte até quarta-feira 09/11 e na quinta-feira 10/11 volto e dou início a minha nova vida em Carmo do Rio Claro, até lá!
Obrigada a todos que me apoiaram e me acompanharam nesta jornada!
Tia Cleise e família obrigada pela disponibilidade e pelo acolhimento que estou recebendo na sua casa!
Papai e Mamãe pelo apoio, amor e ajuda nesta fase da minha vida!
Beijos e saudades de todos!
Para saber mais acesse:
sábado, 12 de novembro de 2011
Amor de família

Olha que mensagem mais linda que a Rani (essa linda do meio da foto), filha da Fatinha, minha irmã, para o Ian, filho da Valerinha. O mais importante é perceber que conseguimos passar para a descendência de Edmundo Soares os valores tão imprescindíveis e que ele nos transmitiu, além de toda a família. Querida Rani, eu brindo com você a sua perspicácia, a sua criatividade com as palavras, o seu coração generoso. Obrigada por tão lindas palavras! Que preservemos sempre essa nossa união familiar, esse nosso amor, que é tudo o que Jesus Cristo queria para a humanidade. A família é a célula, célula doente, pessoas doentes. Célula sadia, pessoas sadias. E o amor é o unguento, cura e acalenta os seres humanos!




Momentos dos anos 70!
Colocar as cadeiras na frente das era normal. Essas, da Casa da Nivalda, viviam à porta. Muitos passaram por estas cadeiras. Ai na Foto, Maria do Carmo Soares, Claudia, Edna, Toni e eu. As meninas eram comportadas e ajudavam a preservar as sublimes pernas com as mãos. Momento inesquecível.
O Carmo era tranquilo. Nesa foto, as árvores do jardim anterior ao atual ainda estavam pequenas. Cadê os carros? Talvez essa foto seja ainda mais antiga...Gec.


A turma da Licinha, do Edmundo. Na foto: a Marisa, Heloisa, Zé Trovão e lá atrás ???Maria do Carmo Soares de volta ao Carmo!
Quem tirou a foto foi a nana (nanademinas.com.br), na estréia da peça Crônica de uma Casa Assassinada, no Teatro Alterosa. A Pepeca é a terceira da esquerda para a direita.
Minha prima, Maria do Carmo Soares, enfermeira e atriz, que participa de várias montagens de Gabriel Vilela tem agora uma casa no Carmo, naquela bairro ao lado do Honduras, que agora me foge o nome. Mas o certo é que ela e suas irmãs, Maria da Graça, Maria Alice e seu marido Álvaro visitam constantemente a cidade. Com a nossa querida "Pepeca" chegarão artistas. Sua proposta é colaborar com a cultura da cidade.
Português para estrangeiros, inglês para brasileiros
Carla e eu em frente nossa casa no Carmo.Minha irmã Carla Soares está com um blog super interessante: de português para estrangeiros. Para contar o português, ela entra na história da língua e a coloca num contexto cultural brasileiro. Ela sempre foi muito espirituosa, engraçada. Ela vai colocar o seu conhecimento em linguagem simples e compreensível para nossos irmãos de outros países. Visitando o blog, entendi que, também para nós, brasileiros, que estudamos inglês será uma excelente ferramenta. Vale a pena visitar e se tornar seguidora (o) do blog da Carla.
howtolearnportuguese.blogspot.com
terça-feira, 1 de novembro de 2011
NASCEU IAN!
Tudo correu como desejado. Dr. Marco Aurélio nos pegou em casa às 6h15, fomos para a Maternidade Santa Fé. Enquanto eu preparava a admissão na recepção, o nenê nasceu. Ela chegou na maternidade já com 9 cm de dilatação. Estava calma. Depois comentou "o parto não passa de uma cólica". Não tomou anestesia, nem ocitocina sintética e não precisou de episiotomia (corte vaginal) e não rompeu o períneo. Naturalíssimo o parto!
Ian nasceu com 2.950gr e 49cm. É um fofo!
Nem preciso dizer que estou babando nesse sobrinho e muito feliz por ter participado de tão sublime momento!
sexta-feira, 28 de outubro de 2011
I Encontro de Carros Antigos de Carmo do Rio Claro
Silvia, quero sim postar o seu vídeo.
Um abraço.
domingo, 23 de outubro de 2011
Que venha o Ian...
Valéria no topo do mundo, nas redondezas do Glória, Delfinópolis. Um lugar divino, uma riqueza de águas, tem mais de 180 cachoeiras, entre montanhas e matas.


Quem diria, tão pequenininha, e agora está aqui grávida, esperando o Ian. Estas fotos são de Valéria Soares, minha sobrinha, filha do Joaquim José. Tenho a grata satisfação de conviver com ela nessa etapa final de espera do nenê. Ela escolheu ter seu filho em Belo Horizonte, para garantir um médico e assistência humanizada. Vai ser assistida pelo médico Dr. Marco Aurélio Valadares, que me acompanhou em quatro partos, é meu compadre e fundador da ong Bem Nascer junto comigo.
E chegou a alegria...
Esta foto foi tirada no aniversário de 90 anos da minha Avó Alice, ao lado do Tio Toninho, o primeiro careca em pé, está seu filho Jair e meu irmão, Joaquim José. O primeiro sentado é o marido da Penha, uma prima e o outro não sei quem é.
A sanfona do Tio Toninho era mais ou menos igual a esta, que está no museu do Gonzagão. Ele chegava cantando ... vem cá cintura fina, cintura de pilão, cintura de menina, vem cá meu coração... Primeiro chegava o seu grito, poderoso e alegre que varava os corredores da Fazenda Água Limpa. Chegou o Tio Toninho. Chegou a alegria, a irreverência, a infância, a aventura... E chegou o forró do Gonzagão. Ele chegava descalço, calças arregaçadas, cantando e tocando. E pouco depois o salão virava uma festa, um baile. Vinha gente da colônia, da cozinha, dos arredores. Toninho chegou com a Maria. Tia Maria merece também ser contada.sexta-feira, 23 de setembro de 2011
VEIA LUSITANA

Recebi esse texto do meu querido irmão, Edmundo Figueiredo, que acordou um dia às seis da manhã inspirado e gerou essa poesia. E essa foto lindíssima, ao fundo a Serra da Tromba, acredito que ele tenha tirado lá na casinha do Guel.
MEGALOMANIA HÍDRICA
Era uma vez um rio,
Que, apesar de grande,
Sonhava, para seu brio,
Se tornar mais gigante.
E, olha só que desatino,
Cresceu muitas vezes, mil,
Peças pregadas pelo destino,
Virou represa o que era rio.
O povo, desconfiado,
Com as águas nas vargens,
Via aquelas cenas, admirado,
Estatelado em suas margens.
A água, subindo, devagar,
E alguns não acreditando,
Não querendo fraquejar,
Só puderam ver o resgate chegar.
E, no olhar do resgatado,
Um misto de medo e vazio,
Não se avalia em que estado,
Deixou seu coração, o rio.
Fortunas em terras se foram,
Tal qual areia entre os dedos,
Para fazendeiros que choram,
O que será do futuro, seu medo.
A cidade se quedou, empobrecida,
Era fila de pobres nas casas,
De gente que carecia de comida,
E ainda não tinham dali, batido asas.
E olha que não foi pouca gente não,
Que foi prá outras bandas,
Defender seu ganha-pão,
Levando consigo, saudades, nada brandas.
Mas o tempo das vacas magras,
Tinha seus dias contados,
Foi findando, aos poucos, nestas plagas,
Mesmo tendo tanto tempo durado.
E como não há mal que não se acabe,
Os bons tempos de fartura,
Ironia do destino, nunca se sabe,
Voltaram graças a represa, sua formosura.
E o mar de água doce,
Antes desgraça da cidade,
Virou a redenção que o rio trouxe,
Contrariando o início, a novidade.
Hoje não vivemos sem ela,
A riqueza é dela grande parte,
Pelo fato de ser tão bela,
E inspirar diversas artes.
E, no frigir dos ovos,
A saga deste rio aventureiro,
Virou, para todos os povos,
Gigante e de turismo, roteiro.
quarta-feira, 7 de setembro de 2011
Um pouco de poesia!
O MEDO
A hóstia não sangrou
Dissolveu no céu da minha boca
Mas começou a chover
E três dias choveu em seguida
E não adiantava ramo santo ou gritos de Santa Bárbara
Era preciso confessar e guardar a alma
Pra livrar-me do fogo do inferno.
- Padre, perdoe-me os pecados esquecidos.
Aquele sobre o qual não tinha controle
E haveria de pecar de novo
Mas quando a chuva começava
Eu levava lá para dentro
Soldadinhos de chumbo, bolinhas de gude, músicas de roda, cecelêcelêpacê cecelêumpédelê
Onde tu vais toco de mio, onde tu vais toco de mio..
Bonecas de pano,
Lençóis na cabeça.
Não levava o medo
Até que o livro ilustrado vinha parar na minha mão
Purgatório inferno fogo
Purgavam minha inocência
Eu me benzia o credo em cruz
Beijava o escapulário de Maria
Pra não ver o escuro de sombras que se formava
Em torno da luzinha de azeite.
Meu pai e minha já dormiam de mãos dadas
Sorrindo
Eu escutava quatro galos cantando
Sons de assombrações
Até mexer na cama com bastante descuido
Pra acordá-los inocente
Aí, enquanto eles pelejavam para dormir de novo
Eu sonhava com barquinhos de papel
Boiando na enxurrada
Parabéns pra você, nessa data querida! Muitas felicidades! Muitos anos de vida!
Uma foto histórica. Uma saudade!
A Genealogia reflete um retrato da sociedade

O prólogo do livro Genealogia da Família Vilela de Carmo do Rio Claro, escrito por minha irmã, Ana Maria Vilela Soares, e assinado por Antônio Cândido de Melo e Souza, faz importantes apontamentos.
OS ILUSTRES!
Sr. Milton Araújo Pereira. Um homem reto. Um excelente e dedicado professor. Eu ainda tive a honra de ter aula de Moral e Cívica com o Tio Milton, que gerou com a Tia Lourdes, irmã da Vó Alice, uma árvore muito fecunda. O hino do Carmo - letra e música, foi composto pelo Lourenço e o Job Milton (meu contador de casos). Seu pai contribuiu muito para Carmo do Rio Claro.CASOS DO JOB - CURIOSIDADES

"As almas de muita gente,
são como o rio profundo.
A tona, tão transparente,
mas quanto lodo no fundo."
As coisas do meu tempo mais venero,
porém, não sei que esquisitice,
as moças do meu tempo eu não tolero."
Mais uma do Tio Duduca, enviado por Ana Maria Vilela Soares:
Coração, sino da gente.
Um a sentir quando bate,
Outro a bater quando sente."
quinta-feira, 1 de setembro de 2011
O SOTAQUE DAS MINEIRAS
publicitário, nunca publicou crônicas ou contos, não é, enfim, literariamente
falando, muita coisa, segundo suas próprias palavras.
Alagoano, mora em Belo Horizonte e ama Minas Gerais.
Ele diz que nunca publicou nada, mas a crônica abaixo foi extraída do livro
dele, 'As coisas simpáticas da vida', publicada pela "Landy Editora", São Paulo
(SP) - 2005, pág. 82.
O SOTAQUE DAS MINEIRAS
(F.P.B. Netto)
O sotaque das mineiras deveria ser ilegal, imoral ou engordar...
Afinal, se tudo que é bom tem um desses horríveis efeitos colaterais, como é que o
falar, sensual e lindo das moças de Minas ficou de fora?
Porque, Deus, que sotaque!
Mineira devia nascer com tarja preta avisando: 'ouvi-la faz mal à saúde'.
Se uma mineira, falando mansinho, me pedir para assinar um contrato, doando tudo
que tenho, sou capaz de perguntar: 'só isso?'.
Assino, achando que ela me faz um favor...
Eu sou suspeitíssimo.
Confesso: esse sotaque me desarma.
Certa vez quase propus casamento a uma menina que me ligou por engano, só pelo
sotaque.
Os mineiros têm um ódio mortal das palavras completas.
Preferem, sabe-se lá por que, abandoná-las no meio do caminho.
Não dizem: pode parar, dizem: 'pó parar’.
Não dizem: onde eu estou?, dizem: 'onde queu tô.'
Os não-mineiros, ignorantes nas coisas de Minas, supõem, precipitada e levianamente,
que os mineiros vivem - lingüisticamente falando - apenas de uais, trens e sôs.
Digo-lhes que não.
Mineiro não fala que o sujeito é competente em tal ou qual atividade.
Fala que ele é bom de serviço.
Pouco importa que seja um juiz, um jogador de futebol ou um ator de filme pornô.
Se der no couro - metaforicamente falando, claro - ele é bom de serviço.
Faz sentido...
Mineiras não usam o famosíssimo tudo bem.
Sempre que duas mineiras se encontram, uma delas há de perguntar pra outra: 'cê tá
boa?'.
Para mim, isso é pleonasmo.
Perguntar para uma mineira se ela tá boa é desnecessário...
Há outras.
Vamos supor que você esteja tendo um caso com uma mulher casada.
Um amigo seu, se for mineiro, vai chegar e dizer: - Mexe com isso não, sô (leia-se: sai
dessa, é fria, etc).
O verbo 'mexer', para os mineiros, tem os mais amplos significados.
Quer dizer, por exemplo, trabalhar.
Se lhe perguntarem com o que você mexe, não fique ofendido.
Só querem saber o seu ofício.
Os mineiros também não gostam do verbo conseguir.
Aqui ninguém consegue nada.
Você não dá conta.
Sôcê (se você) acha que não vai chegar a tempo, você liga e diz: '- Aqui, não vou dar
conta de chegar na hora, não, sô.'
Esse 'aqui' é outra delícia que só tem aqui.
É antecedente obrigatório, sob pena de punição pública, de qualquer frase.
É mais usada, no entanto, quando você quer falar e não estão lhe dando muita
atenção: é uma forma de dizer 'olá, me escutem, por favor'.
É a última instância antes de jogar um pão de queijo na cabeça do interlocutor.
Mineiras não dizem 'apaixonado por'.
Dizem, sabe-se lá por que, 'apaixonado com'.
Soa engraçado aos ouvidos forasteiros.
Ouve-se a toda hora: 'Ah, eu apaixonei com ele...'
Ou: 'sou doida com ele' (ele, no caso, pode ser você, um carro, um cachorro).
Eu preciso avisar à língua portuguesa que gosto muito dela, mas prefiro, com todo
respeito, a mineira.
Nada pessoal
Aqui certas regras não entram.
São barradas pelas montanhas.
Por exemplo: em Minas, se você quiser falar que precisa ir a um lugar, vai dizer: - 'Eu
preciso de ir..'
Onde os mineiros arrumaram esse 'de', aí no meio, é uma boa pergunta...
Só não me perguntem!
Mas que ele existe, existe.
Asseguro que sim, com escritura lavrada em cartório.
No supermercado, o mineiro não faz muitas compras, ele compra um tanto de coisa...
O supermercado não estará lotado, ele terá um tanto de gente.
Se a fila do caixa não anda, é porque está agarrando lá na frente.
Entendeu? Agarrar é agarrar, ora!
Se, saindo do supermercado, a mineirinha vir um mendigo e ficar com pena,
suspirará: '- Ai, gente, que dó.'
É provável que a essa altura o leitor já esteja apaixonado pelas mineiras...
Não vem caçar confusão pro meu lado!
Porque, devo dizer, mineiro não arruma briga, mineiro 'caça confusão'.
Se você quiser dizer que tal sujeito é arruaceiro, é melhor falar, para se fazer
entendido, que ele 'vive caçando confusão'.
Ah, e tem o 'Capaz...'
Se você propõe algo a uma mineira, ela diz: 'capaz' !!!
Vocês já ouviram esse 'capaz'?
É lindo. Quer dizer o quê?
Sei lá, quer dizer 'ce acha que eu faço isso'!? - com algumas toneladas de ironia...
Se você ameaçar casar com a Gisele Bundchen, ela dirá: 'ô dó dôcê'.
Entendeu? Não? Deixa para lá.
É parecido com o 'nem...' . Já ouviu o 'nem...'?
Completo ele fica: '- Ah, nem...'
O que significa?
Significa, amigo leitor, que a mineira que o pronunciou não fará o que você propôs
de jeito nenhum.
Mas de jeito nenhum mesmo.
Você diz: 'Meu amor, cê anima de comer um tropeiro no Mineirão?'.
Resposta: 'nem...'
Ainda não entendeu? Uai, nem é nem.
Leitor, você é meio burrinho ou é impressão?
Preciso confessar algo: minha inclinação é para perdoar, com louvor, os deslizes
vocabulares das mineiras.
Aliás, deslizes nada.
Só porque aqui a língua é outra, não quer dizer que a oficial esteja com a razão.
Se você, em conversa, falar: 'Ah, fui lá comprar umas coisas...'..
- Que's coisa? - ela retrucará.
O plural dá um pulo.
Sai das coisas e vai para o 'que'!
Ouvi de uma menina culta um 'pelas metade', no lugar de 'pela metade'.
E se você acusar injustamente uma mineira, ela, chorosa, confidenciará:
- Ele pôs a culpa 'ni mim'.
A conjugação dos verbos tem lá seus mistérios, em Minas...
Ontem, uma senhora docemente me consolou: 'preocupa não, bobo!'.
E meus ouvidos, já acostumados às ingênuas conjugações mineiras nem se espantam.
Talvez se espantassem se ouvissem um: 'não se preocupe', ou algo assim.
Fórmula mineira é sintética e diz tudo.
Até o tchau, em Minas, é personalizado.
Ninguém diz tchau, pura e simplesmente.
Aqui se diz: 'tchau pro cê', 'tchau pro cês'.
É útil deixar claro o destinatário do tchau...




