quinta-feira, 31 de março de 2011

A DILMA VEIO EM BH E EU ESTAVA LÁ



Essa semana, tive a oportunidade de ver a presidenta de perto, no grande auditório do Palácio das Artes. Ela veio aqui lançar a REDE CEGONHA e eu sou fundadora e presidente da ong Bem Nascer, que trabalha com a conscientização da maternidade em Belo Horizonte. Ganhamos dez convites e fomos uniformizadas com a blusa ;Diga SIM ao Parto Normal.

O que mais me impressinou ao ver a Dilma de perto, foi ver que é uma mulher como todas nós. Mas tem poder no Brasil e influência no mundo.

O Jornal da ong Bem Nascer - JORNAL BEM NASCER foi entregue a ela e aí está a foto dela guardando em um envelope. Nós, militantes desta causa, vimos que conseguimos conquistar um lugar nesse ambiente "oficial" por nosso trabalho em Belo Horizonte, em parceria com a Secretaria Municipal de Saúde.

E aí na região do Lago de Furnas, em Carmo do Rio Claro, como andam os índices de parto normal e de cirurgias cesarianas?

Por aí, as mulheres estão tendo seu direito respeitado? Podem se fazer acompanhar por alguém da sua escolha antes do parto, no parto e no pós-parto? Acompanhante de parto no Brasil, é lei.

As fotos são da minha parceira na ong, Pollyana Amaral.

Leia artigo sobre o evento no meu blog yogabemnascer.blogspot.com

domingo, 27 de março de 2011

DR. LUIS ESPIRITUOSO!

Além de um excelente médico, homem que praticou a medicina no Carmo como a um sacerdócio. Nasceu em Muzambinho e se formou na Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro, em 1928. Dr. Luis Introcaso Neto era espirituoso. O Job contou algumas dele:

"Dr. Luis, tenho muito medo de morrer. Clamou a paciente.
Ele: muito simples, é só morrer que o medo acaba."

"Ele gostava dos pobres e de fazer gozações. Um pobre doente disse a ele:
- Dr, eu acho que preciso tomar Terramicina.
Dr. Luis respondeu: pra você, é terra em cima"

"A Elvira Baiana tinha um filho e o Dr. Luis estava tratando dele. Um dia, ela chegou ao consultório e disse:
- Dr., o remédio que o senhor deu, não ta fazendo efeito.
- E o que você acha que serve para ele?
Ela então foi citando uma série de remédios e ele anotando. A uma certa altura, Dr. Luis perguntou:
- É só Elvira? Mostrou o papel, agora assina aqui.
- Mas, doutor, o senhor é que o médico...
- Mas foi você quem receitou."

TIO NECA MORREU!

muitos andaram por essas ruas antes de nós...

"Houve um enterro de Neca Luís (Manoel Luis Marques) e, naquele tempo, usava fazer discurso no cemitério. Um sobrinho resolver discursar no túmulo e começou:
- Tio Neca morreu, morreu porque jaz aí inanimado, inerte, mas Tio Neca não morreu, porque seus exemplos ficarão para os amigos e parentes. Mas Tio Neca morreu... Mas Tio Neca não morreu...
Aí, alguém muito espirituoso, o chico Monteiro disse em voz baixa:
- Morreu ou não morreu?
- Se morreu, vamos enterrar, se não morreu, leva de volta.
E toda a vez que havia uma dúvida sobre qualquer assunto, na sede do GEC, o Sr. Emídio Marinho, que era funcionário do clube, perguntava:
- Tio Neca morreu ou não morreu?"
Casos do Job

Um PERSONAGEM - ANTÔNIO NEGRINHO

A melhor coisa que eu faço quando vou ao Carmo, é ir visitar o Job. Fina ironia, sutil inteligência. Eu puxo a linha e vou ouvindo contar seus casos. Ele vai acordando pessoas que muitos de nós não conheceram, mas que por certo, um outro tanto sim. Ele contou casos de

ANTÔNIO NEGRINHO
Era era parecido com o Grande Otelo, baixinho, muito fino e educado. Criou um bordão aqui no Carmo e até hoje ainda se costuma ouvir no círculos dos mais velhos. A primeira vez que o disse, estava diante da sua patroa e ele consolou o viúvo com um tapinha nas costas:
- Como é que encrenca assim, criatura?

Um comerciante seu amigo emprestou a ele uma certa importância. E ele foi pagar o comerciante, que não quis receber. Não, seu Antônio, não precisa não, isso é do senhor, pode ficar com o dinheiro.
- Não, faço questão de pagar. Eu quero deixar minha vida mais consoante."

sábado, 26 de março de 2011

DESENVOLVA UM ESTADO DE ESPÍRITO ANTICÂNCER!

Curtir a natureza, a vida, ser feliz, se expressar, se divertir... tudo isso ajuda a ter uma saúde plena.

Ao longo dos anos, os médicos foram percebendo que o câncer acontecia mais em pessoas deprimidas. Em 1759, um cirurgião inglês declarou que o câncer sempre vinha depois dos desastres da vida, aqueles que ocasionam desgosto e sofrimento.
Em 1846, médicos ingleses disseram que "a miséria mental, as viradas repentinas de sorte, os temperamentos de disposição taciturna {...} constituem a causa mais poderosa da doença"

PODE-SE FABRICAR UM CÂNCER?
Segundo o autor, um câncer leva de 10 a 40 anos para se formar, para que se desenvolva a anomalia em uma célula - "o grão" - que se torna um tumor canceroso detectável. As células sadias começam a se desregular gravemente, seja por efeito de seus gens anormais, seja porque elas foram expostas a radiações, a toxinas do meio ambiente ou a outros cancerígenos como a fumaça do cigarro".
Se se pode fabricar um câncer, podemos também evitar, curar. Para ajudar na prevenção e na cura, há que se dar uma virada de 180 graus. Ele apontou os fatores que podem influenciar para a formação da doença.

ALIMENTAÇÃO
VIDA SEDENTÁRIA
QUALIDADE DO AR E DA ÁGUA
ESTRESSE PSICOLÓGICO

Radicalizar com a alimentação. Preferir as verduras orgânicas - aí no Carmo, ô pessoal!, plantem verduras, tanta terra, tanta água! Usar uma alimentação sem industrializados, sem corantes, conservantes, acidulantes, gordura trans, transgênicos...A velha horta no quintal, com adubo orgânico, esterco, aquela cebolinha colhida na hora, a verde couve, alface... Tudo de bom.
Nada de bolachinhas, pão branco cheio de bromato, torresmo, açúcar, sal em excesso...refrigerantes..Comam comida da natureza. Quando os homens pegam o alimento para transformar, aí mora o perigo.
Bom demais o peixe, o azeite, o vinho.Dieta do Mediterrâneo.

David recomenda consumir algas e cogumelos. O Shitake, por exemplo, tem o poder - já comprovado cientificamente - de fazer a célula do cãncer suicidar. O livro cita os alimentos anticâncer. Alguns, mais ligados à cultura americana. Mas, para resumir: frutas, legumes, verduras à vontade, arroz (prefira os integrais), comece a usar outros feijões (lentilha, ervilha, grão de bico), nozes, castanhas, amêndoas, frutas secas...
Eu recomendo também a adoção dos derivados da soja, principalmente o molho shoyu e o missô, a pasta de soja que é anti-radiotiva. O missô é salgadinho e pode salgar sopas, ser substituído pelo sal. Mas deve ser colocado depois de tirar a fervura, para não perder seus nutrientes.
O autor sugere que escolhamos sempre pães multigrão, para enriquecer a alimentação.

ESTRESSE

"O estresse psicológico influencia profundamente o terreno no qual o grão pode se desenvolver"

"excesso de obrigações, impotência, provações, falta de alegria, conflitos crônicos"

"Agora você não tem mais escolha, terá de aprender a funcionar de outro jeito"



EVITAR A VIDA SEDENTÁRIA
Evite ficar parado, engordando, fazendo câncer. Procure se exercitar, caminhar, nadar, dançar, fazer Yoga, ginástica. Fazer amor. Assim, a energia vai fluir pelo seu corpo, gerar saúde em seus chakras e em seus órgãos internos.

A FALTA DE AFETO NA INFÂNCIA

"Eu nasci primogênito de um primogênito. Mal saí do ventre de minha mãe, me retiraram dos braços da minha mãe e do seu seio, julgados ineficientes, para me confiar a um berçário, às puericultoras". Ele conta que a mãe chorava com o peito vazando, impedida pela sogra de amamentar. "Fui confiado a enfermeiras e babás. Meu corpo só guardou a lembrança do vazio".

Segundo ele, a babá supriu um pouco o vazio, mas vivia com medo que ela fosse embora e ela o ameçava com essa possibilidade. Eu era o primogênino, nenhuma explosão, nenhum acesso de raiva"


David adoeceu, se curou e quando separou da mulher, adoeceu de novo. Os pesquisadores descobriram um aspecto psicológico presente nas pessoas que adoeceram de câncer. Por exemplo, pessoas que não se sentiram plenamente acolhidas na infância. Receberam pouco encorajamento, tiveram pais violentos, frios, distantes, exigentes. Sentiram-se fracos e vulneráveis.
Mais tarde, para se sentirem amadas, decidiram se conformar ao máximo com o que se espera delas, em vez de seguirem suas inclinações pessoais. "Adultos que raramente se enfurecem e extremamente amáveis. Evitam os conflitos, colocam seus desejos em segundo plano, por vezes pelo resto de suas vidas."

UM ANJO! UMA SANTA!

Você conhece alguém assim? Você está com câncer? Não está, mas está cercada por parentes que padeceram da doença? Pois saiba que é apenas 15% genético. O médico ensina você a usar as suas defesas naturais para ajudar na prevenção ou cura de um câncer.


sexta-feira, 25 de março de 2011

Ah ah ah ah ah ah... Essa da Represa é ótima!

Não estou falando da represa de Furnas. Estou falando da nossa Represa, a Olívia que de dia lavava roupas e era séria e, à noite, tomava umas pinguinhas e soltava o verbo e o seu lado espirituoso.
"Quando o Padre Marcelo desmanchou a igreja, levava a Nossa Senhora da Aparecida para andar nas casas. Pulava as casas duvidosas (quando a mulher não procedia bem). Olívia estava descendo a rua, quando uma mulher começou a gritar: - Cachaceira! Num repente, retrucou:
- Mas a santa tá lá em casa!

(Casos do Job)

Sabe essa paineira aí de cima...

Segundo o Job Milton, meu contador de casos,

"A paineira era o refúgios de todos os carmelitanos. Todos se reuniam ao final da tarde, juízes, oficiais. À noite o movimento era grande. Ela foi cortada em 1939, para desgosto dos carmelitanos. Ela foi arrancada porque as raízes estavam se infiltrando em minha casa. Ela era uma beleza. Os namorados também gostavam de ficar em sua sombra.A eletricidade veio ao Carmo em 1917. As luzes eram amareladas. Primeiro, a iluminação foi feita pela Cia de Luiz Aristides Barbosa e depois veio a Cia. Geral de Eletricidade. Era um apagão puro"

quinta-feira, 24 de março de 2011

MEMÓRIA DE FURNAS - GUAPÉ EM PÉ DE GUERRA!

Foto: Edmundo Figueiredo
PARA FICAR NA HISTÓRIA
A antiga Guapé ficava localizada numa confluência dos rios Sapucaí e Grande. O nome deriva da palavra aguapé (planta aquática de raizes flutuantes). A cidade foi decretada à morte pela Hidrelétrica de Furnas. O povo decretou guerra e vozes se levantaram. Não adiantou nada o engenheiro de Furnas, Reginald Cotrim mostrar a planta da nova cidade que seria construída no alto. Eram belicosos. Descendiam do lendário Capitão José Bernardes Ferreira, que nos idos de 1856 cercou sua fazenda com muralhas de pedra e para ostentar para os portugueses, ferrou seus cavalos à prata.
Naqueles dias, uma faixa estava esticada na frente da igreja, colocada por um padre prussiano de fala enrolada e dizia: Nossa Senhora, livrai-nos do flagelo de Furnas".

Quando José Alves começou a ouvir os bochichos sobre Furnas, lá no Barranco Alto, primeiro duvidou do que começou a ouvir, mas foi conferir de perto:

"Pelos cálculos aproximados, Guapé vai perder pelo menos 206 Km quadrados de suas melhores terras" (prefeito Vicente Azevedo de Araújo)

Como tinha parentes para aquelas bandas,José Alves pegou seu jippie e foi conferir de perto. Em São José da Barra, encontrou com o dono do posto de gasolina, Anibal Peres:
"Zé Alves, isso aqui vai acabá, homem de Deus! Vai ser o fim do mundo. As Furna vai jogar água na nossa cidade. Até a torre da igreja vai ser coberta pela maldita represa!"

Ouviu o pescador Wilfredo clamar a calamidade " vai acabar a pescaria e São José vai ser submersa. Vamos ter que mudar daqui... Vão transformar o nosso paraíso terrestre em um inferno".
Informou que "os fazendeiros de Carmo do Rio Claro pensam em resistir.
"Eles vão organizar protestos, tentar impedir a construção da barragem. Mas sei que tudo vai dar em nada..."
José Alves ouviu tudo e "... naquele dia carrancudo, sem sol e fresco, sacramentou:
"tá danado, tudo vai ficá isguelepado, siô!"

Não adiantou, a água veio, cobriu Guapé. Nossa região viveu naqueles dias as dores das perdas e danos. Vimos nossas casas, terras, pertences e pertinências serem naufragados pela água. Vivemos ali realmente um "fim do mundo". O fim do mundo dos rios Sapucaí e rio Grande com seus arrozais pelas beiradas, seus peixes - dourados, bagres, jaús , seus vales férteis..


RENASCEU
Mas é inegável, que dessa destruição e perdas, nasceu o mundo do Lago, o nosso querido Lago de Furnas. O mar de Minas. Com ele, vieram mais visitantes, cresceu o turismo.

Deixo, no entanto, aqui registrado o grito da população de São José da Barra e do Guapé, para ficar na história. Nós, do entorno do Lago de Furnas, contribuímos muito para iluminar este País. Merecemos ser olhados com cuidado pelo poder estadual. Que o governo de Minas patrocine e promova o Lago de Furnas, assim como fez com a Estrada Real. Promovendo o turismo e, assim, reparando em parte os dando causados pela hidrelétrica em um tempo tão ecologicamente incorreto.

(As informações históricas foram tiradas do livro Mandassaia, de Ildeu Manso Vieira)





VAMOS ENTRAR NESSA CAMPANHA!

Recebi esse recado da Nilzinha Reis.

Você que é bairrista como eu faça campanha para o Thómas,o nosso atleta que está disputando o 1º lugar no projeto "CAÇA TALENTO DO FUTEBOL"da TV Alterosa.
Entre mais de 15000 garotos ,ele conseguiu ficar entre os 3 primeiros e agora disputa o 1º lugar.Thómas cursa o 9º ano,na E.E. Monsenhor Mário.Para ajudá-lo é só enviar mensagem pelo celular doThomas,para o nº 50006.
Beijos.
Nilza.


sexta-feira, 18 de março de 2011

ESTOU SOLIDÁRIA

Manifesto minha solidariedade com a população rural de Carmo do Rio Claro, ilhada pelas estradas. Ontem, passou nossa querida Carmo na TV Record, dizendo que as escolas estavam fechadas devidos aos transtornos. Parece que sobra para todas nós o desequilíbrio do nosso querido planeta. A orientação dos espiritualistas, é mantermos a nossa paz interior, o centramento e o contato direto com Deus. Vibrar boas energias para a Terra e para os que estão sofrendo nesse momento. O Brasil é uma terra abençoada por Deus, onde a maior parte da população é cristã e em Minas Gerais estamos protegidas pelas montanhas e terras firmes. Agradeço a Deus por ter nascido em Minas e, particularmente, nessa cidade maravilhosa que é Carmo do Rio Claro. (Com o computador com defeito, fiquei sem acesso a fotos do arquivo, mas logo logo volto com novas histórias, viu Nilza...)

sexta-feira, 25 de fevereiro de 2011

QUEM É VOCÊ QUE ME VISITA?

Querido leitor e seguidor, mostre o seu rosto. Já recebi até agora 1937 visitas. Interaja com o blog, comente as matérias, envie sugestões, colaborações. Você está gostando? Eu estou aqui debruçada sobre as histórias da minha lembrança e os livros que registram a história real para entregar para vocês, com o maior prazer! Então, por favor
COMENTEM ou mande sua colaboração para cleisempsoares@gmail.com

Sou blogueira de outros blogs. Receberei com prazer as suas visitas. Vou criar uma coluna MISTURANDO OS BLOGS e vou trocar informações entre eles. Aguarde!
yogabemnascer.blogspot.com
bemnascer.blogspot.com
paesdesabedoria.blogspot.com
ceramicabrasileirarenatocoelho.blogspot.com

O TIO TONINHO - 1

Na foto, em pé Tio Toninho e ao lado: Jair e Joaquim José, na festa de 90 anos da vó Alice, na Fazenda Água Limpa.

Toninho Soares era irmão do meu pai Edmundo, filho da Dona Alice Figueiredo e Sebastião Soares. Pai do Jair Soares. Era uma peça rara! Daquelas que fizeram e quebraram a forma. Ele era de uma total espontaneidade e transparência! Sua história hoje vira lenda na família Soares. Em qualquer roda, história do Tio Toninho vêm à tona. Ele é personagem do meu livro - Hortênsia Paineira/Inventário das Águas, onde ganhou o nome de João Garavião.
Ele criou um urubu desde pequenininho. Ganhou o nome de Pepita. Segundo o Job Milton, "o Toninho tinha uma força hipnótica nos olhos, ele atraía os passarinhos em sua mão. A Pepita andava atrás dele, quando ele ia ao açougue pegar carniças. Ora voava baixinho perto dele, ora pousava em seus ombros. Quando estava de Fordinho, ela pousava na frente do carro. "

ARTEIRO QUE SÓ VENDO
Quando era pequeno, era um verdadeiro Malazartes. Vivia fazendo travessuras. Vovó Alice contava. Num carnaval, ele fantasiou todas as suas galinhas e soltou pela rua. Guardava bichos no armário mudo para jogar na perna das comadres que vinham da missa. Um dia, solene almoço de domingo, ele soltou morcegos, pois sabia que a vovó tinha pavor. Para a mamãe, que tinha medo de sapo, ele soltou um saco de rãs na cozinha da fazenda Água Limpa.
Minhas irmãs mais velhas presenciaram o tio Toninho nos bons tempos, quando andava pelos campos da fazenda ao lado da sua Maria. Ele levava os meninos para fazer a ceva. Iam para o meio do mato no final da tarde, construíam uma plataforma sobre a árvore e deixavam alimentos embaixo. A noite caía e os bichinhos silvestres iam chegando. Era preciso ficar quietinhos!
Tio Toninho era um menino. Ficava o dia inteiro amassando visgo para os passarinhos ou pão para a pescaria. Era "porco" e só pra chatear a vovó, limpava o dedo sujo no copo d´água e bebia. Ai, que nojo! Uma vez, queimei o dedo na goiabada quente, seguindo o irreverente gesto do meu tio.

CHEGOU A ALEGRIA!
Quando ele chegava na fazenda, primeiro chegava o seu grito, que varava a casa toda e levava a novidade, o Tio Toninho chegou e a noite virava baile. Ele chegava com a calça arregaçada e cantando - vem cá cintura fina, cintura de pilão, cintura de menina, vem cá meu coração...os camaradas do meu pai e as ajudantes da minha mãe vinham para a sala e dançavam o forró.
E ainda tinha o seu lado caridoso e desapegado. O Manézinho (da Kátia) lembra-se que um dia eles estavam pescando, o Mané era menino, tio Toninho enfiava a mão na água, quando tirou o seu relógio de "ouro" e deu para ele. E A vovó contava, se um mendigo pedisse esmola, ele tirava a blusa do corpo e dava.
Sobre a paixão pelas mulheres, é assunto para outro momento. Uma coisa ele foi, um pai presente para todos os filhos que teve, de várias mães.

IRREVERÊNCIA
Quando pegou o câncer na garganta, ainda brincava : estou cultivando um cancerzinho! Uma vez chegou na casa da Claudete (em frente a antiga SOC) no seu fusquinha. As pessoas chegaram e ele bateu na garganta, dando a entender que havia perdido a voz. Todos ficaram arrasados! Alguns choraram escondido. Ele entrou, pediu um papel e escreveu: quero mingau. Eles fizeram conforme ele gostava. Tomou e saiu. Já no fusca, gritou:
- Ô cambada de gente boba!
Outra história que mostra sua irreverência, minha tia Maria contou. Ele chegou à casa da vovó no dia de sexta feira santa, dizendo: - Comi um frango com quiabo esplêndido na viagem!
Vovó: mas, Toninho, hoje é sexta feira santa. No sábado, ele chegou e ela o convidou para comer um frango. - Não, obrigada mamãe, hoje estou de jejum.

VÊ SE PODE!
Quando Tio Toninho estava para morrer em São Paulo, Vó Alice foi à casa paroquial e pediu para o Padre Mário para confessar no lugar dele. Disse que sabia todos os seus pecados! Ao final, Pe. Mário foi à São Paulo e ouviu suas últimas palavras.


CASOS DO JOB - CURIOSIDADES


Política dos tempos antigos.~
Lá em Passos a briga era entre patos e perus.
Em Nova Rezende, era entre aranha e caranguejo.
E no Carmo, entre russo e japonês.

OS NOMES DAS RUAS

Vista parcial do Carmo, ainda com dois coretos. As árvores pequenininhas. Nenhum carro nas ruas. De fato, era pacata.
Olha aí o Cascalho, a igrejinha no pé da Serra da Tormenta. Hoje há ali uma pracinha, a igreja está restaurada e as casas se esparramaram ao redor.
A Wenceslau na década 60/70, ainda com a casa da da. Maria Goulart.
O Bar XV de todos nós ficava no final da rua XV de Novembro.

Rua do Sapo... rua Morta... os de hoje nem conhecem essa rua por esse nome. Nem eu sei o nome dessa rua. Descendo da praça a rua do Carmo Hotel, pega à esquerda. Aquela era a rua Morta. Ali uma mulher foi assassinada. E nuns tempos tão pacatos, assustada ficou a cidade. Isso matou a rua, naquele tempo. Andando mais adiante, passamos pela casa do Zé Ganguinha e andando um pouco mais chegamos ao fundo da casa do Padre Mário. Ali, nas madrugadas, ouvíamos uma ladainha comprida, um verdadeiro mantra cobria aquela rua, naqueles tempos. Era o nosso cego Sô Chiquitinho rezando. Íamos pegar o caminhão de leite do Armando para ir para a Fazenda Água Limpa, às quatro da manhã e aquela ladainha nos assustava.

Wenceslau, hoje rua de toda as festas e que agora no carnaval, vai bombar! O Aguenta (melhor de tudo para nossa geração) vai cobri-la com marchinhas. Lá em cima, na Pipoca, o axé, o funk, o que a moçada gosta. E no abadá (a roupa lá no Carmo virou nome de lugar) a nata. Haja $ para o abadá.

A propósito: quem foi Dr. Monte Razo? A rua em que vivi minha juventude. Onde ficava a hoje lendária para nossa geração, Casa da Nivalda.

A infância eu passei na rua Camilo Aschar. Mas naquela época, a rua se chamava XV de Novembro. O Camilo morava na esquina com sua mulher Elvira e duas filhas. Ele tinha uma venda. Era um homem muito educado! Ali moravam a Salete e o Marquinho, filhos da Dona Alcina e do Sr. Humberto. Dona Alcina era quem fazia todas as nossas roupas. Lá, tinha a barbearia do Roquinho. Nós ficávamos brincando na cadeira de rodar. Do outro lado, ficava o Sô Túlio, onde comprávamos picolé e lança perfume, quando ainda não era proibido, latas douradas e prateadas. Na frente, ficava sempre sentado, o Modesto. A criançada brincava: Modesto, cadê o resto? Só pra ver ele ficar zangado! Estacionada na frente, a jardineira do Batista. Quando eu passava por lá, tirava a trampa e cheirava a então cheirosa gasolina.

A Rua XV de Novembro fica atrás do Colégio das Freiras.

Ali também morava e ainda mora a Henriqueta. O Lourenço já partiu. Ele é um dos autores do hino do Carmo(o outro é o Job Milton) Ali, na casa deles, assistimos a primeira televisão de Carmo do Rio Claro. A Tupi, que chegava entre chuviscos para um monte de pessoas ao redor, vendo a novidade. Depois, papai comprou uma e aí pudemos assistir as primeiras novelas: A Gata. Se o Mar Contasse...

JUSTIÇA SEJA FEITA!

Comecei a falar de ruas porque acho que algumas pessoas merecem ter nome de rua em Carmo do Rio Claro.

Meu pai, Edmundo Figueiredo Soares, por exemplo. Foi um dos fundadores da cooperativa de leite de Carmo do Rio Claro,vicentino, vereador e presidente do GEC.

Minha mãe, Nivalda Pereira Soares, em sua humildade (se ela estivesse viva, não gostaria que eu fizesse esse pedido, mas ela partiu e precisa permanecer viva na memória de Carmo do Rio Claro). Foi uma benemérita. Ajudou a reabrir o Lar Nossa Sra. do Carmo - que ainda hoje funciona - foi vicentina e por vinte anos andou pelas ruas do Carmo com um papel na mão arrecadando dinheiro para o Natal das crianças pobres. Ao final, os presentes chegavam até à área rural. Foi também Ministra da Eucaristia.


MORREU A POESIA!

(a foto é do acervo do blog www.soudalaiacultura.blogspot.com)

A cidade de Alpinópolis chora um dos seus cidadãos mais ilustres. Em Ventania recentemente morreu a poesia. OMAR CABRAL KRAUSS. Faleceu em 13 de fevereiro de 2011, aos 83 anos. O prefeito Edinho do Osvaldo decretou luto oficial de três dias.

Eu o vi uma vez, foi numa feira no GEC, ele estava de boné xadrez e um charmoso cachecol e o achei muito bonito. Daquelas pessoas que passam e deixam rastros. Emanava uma aura, um magnetismo. Debruçada sobre o excepcional livro de Jose Eglair Lopes – “História da Ventania”, deparei com a história de Omar. Ele nasceu em Alpinópolis em 11/10/1927. Filho de Abrelino Cabral Krauss (Seu Bilico) e Dona Anna Gonçalves Krauss (Sinhaninha).

A cidade o premiou como cidadão honorário. Foi acadêmico da Academia Taguatinguense de Letras e músico da Ordem dos Músicos do Brasil. Fundou o Grupo de Teatro Krauss e 12”. Escreveu e publicou livros de poesias, romances, memórias, autobiografia, adaptações para teatro, contos, crônicas...É impressionante o peso da sua obra. Fiquei impactada! Eu, que sou escritora também. Como ele escreveu e desenvolveu projetos ano a ano e criou livremente por anos a fio! Como ele se deu pelas palavras. Quanto destemor... Quanta entrega! Quanto amor! Gerou 9 filhos. Entre eles, a nossa querida Naina, filha da carmelitana, Maria Cesarina Paiva Krauss.

SUA OBRA

Rua Coronel Rosendo – 1983 – memória

Barulho do Silêncio – 1984 – conto e crônica

Lê com Lê... Clé com Clé – 1985 – tragicomédia

Retalhos D´Alma- 1985 – poesia e conto

Dona Rita Viúva Ladina – 1985 – melodrama

O livro do Padre Vicente – 1989 – memória

Nova Rezende “1937” – 1989 – memória

Trovas da Latinidade – 1989 – antologia (participou com 1 poesia)

Sonata a 4 mãos – 1992 – coautoria com sua esposa, Maria Helena – conto e crônica

A Flor dos Cafezais – 1990 – romance

Vida minha em livro aberto – 1991 – poesia

Circo pavilhão felicidade e entrevista – 1991 – memória

Poemas em letras vivas – 1993 – poesia

Íris, a sobrevivente – 1995 – romance

Padre Aníbal – 1995 – poesia

Brados de Amizade – 1996 – poesia

Rosa dos Ventos, Rosa dos Ventos – 1996 – antologia (com dois poemas)

Pequena História da Paróquia de São Sebastião da Ventania – 1996 (colaborador)

Recheios do Meu Balaio – 1998 – autobiografia com poesia

Florilégio dos meus poemas – 1998 – teatro bíblico

A voz das Letras – 1999 – poesia

Feliz andarilho – 1999 – poesia

Divina Júlia – 1999 – adaptação para teatro de um conto de Danielle Queiróz

Antologia Romântica – 1999 – antologia (participação com poesia)

Versos a Diversos – 2000 – poesia

Em 2001 e 2003:

A Morte do Justo – adaptação para teatro

Desejos de Felicidade – poesia

Segredos da Ventania – memória


Poltrona 4 – conto

Poltrona 4 era a poltrona do ônibus da Santa Cruz que o levava diariamente para Passos, onde Omar fazia academia. Enquanto olhava a paisagem e conversava com os outros do ônibus, fazia tudo virar literatura. A poltrona 4 era reservada para um jovem ancião – Omar. Morreu um menestrel. Com certeza o céu se encherá de poesia!

O blog www.soudalaiacultural.blogspot.com publicou esse artigo de Omar Krauss:

Antes que o Mundo acabe

Um dia eu vou morrer. Vou. O Mundo com suas coisas maravilhosas, o firmamento azul que chamamos de céu, as verdes matas, o mar, os rios, os córregos, os prédios...tudo irá ficar para trás.
Das coisas que irão ficar, as mais importantes são os animais.
No meio dos animais ficarão homens amigos, mulheres amigas, crianças amigas. Sempre foi assim com os outros que deixaram o Mundo nosso, então, vai aí minha confissão:
Quando eu era criança, para mim, nada melhor do que o Circo. No Catecismo do Padre Vicente, da Anita, da Antoninha, da Tia Olegário, minha catequista amada, da Samira, da Ruth, aprendi que nós viemos ao Mundo para conhecer, amar e servir a Deus e gozar d’Ele lá no céu. Que beleza! Eu com 7 anos pensava que era fácil ir para céu, um paraíso lindo, lugar dos bons, eternamente. Esse eternamente, não dá para ninguém compreender. É mistério!
E, um dos meus mistérios é a bondade do céu.
Veja se me entende, caro leitor.Eu amava Circo, nada melhor do que Circo, isso, não só quando criança, mas até hoje vibro com Circo, ainda amo: a entrada solene ao Circo, bancada ou cadeira, a entrega ao porteiro fardado, do bilhete amarelo ou verde, chamado ingresso, o cheiro do quentão, da pipoca, a bandeja de pirulito de várias cores...uma olhadela ao longe, para ver que estava ali para assistir “O céu uniu dois corações”, a Terezinha rola-rola, o palhaço “Bigola, meu nêgo”!...ou Chupim, ou ainda o Bambolim e o Cherêta, a voz impostada do Diretor: “Respeitável público, o meu cordial boa noite!” Ah, como é bom o Circo! É uma saudade...dor gostosa!...
Bem, e o Céu? Claro que o lugar que nos está preparado por Deus, sua bondade é única, inigualável!
Permita-me concluir a minha confissão:
Por mais que eu leia, por mais que eu saiba o absurdo do meu pensamento, sem censura nenhuma, sem medo de crítica, pois cada pessoa tem o seu Céu na imaginação. Como é o seu Céu???
O meu é um Circo, com lona, bancada de tábua, picadeiro de palha de arroz, no palco, uma cortina de chitão de estampas vivas com iluminação elétrica muito forte, o povo, com roupas normais; não vejo alminhas de fumaça, não.
Muita gente da Ventania, de outros lugares também, mas não está lotado e há silêncio e expectativa.
Toca uma sineta e começa um desfile nos chamados santos; muitos Anjos; em seguida, atravessa a picadeiro, uma senhora linda, vestida de branco e azul. Minha tia me cutuca e diz baixinho, aquela é a Nossa Senhora, a Maria, ela abana a mão direita e o povo bate palmas. O silêncio fica profundo e uma música suave; o meu corpo arrepia. É Jesus, o Salvador. Que beleza! O povo canta o Tantum ergo, o tão sublime Sacramento! Bate um cheiro de incenso. A cortina do palco se abre e ali dentro, no palco, Deus Pai e Deus Espírito Santo, juntamente com o Cristo, os três salientando a Trindade Santíssima, abençoa o povo que está ajoelhado, contrito e muito feliz.
Meus Deus! Se for assim, será assim. Acho pensar que o Céu, para onde quero ir, é como meu Circo dos meus tempos de criança pura!
Sempre tive vontade de deixar escrito essa minha...inocência.
Não penso estar escandalizando meu leitor. Por mais que eu queira criar outra imaginação, não consigo.
Por enquanto, fico pensando assim, “Antes que o Mundo acabe”.
Tomara que a Misericórdia de Deus me conceda o Céu como ele é: Resplendores de Luz, Perpétua!

Fonte: Dener Moreira de Souza

terça-feira, 22 de fevereiro de 2011

JUVENTUDE UNIDA CARMELITANA

Olha a a turma da JUC, na casa do Dito: Bel, Terezinha, a irmã Veroneze, o Dito, Cléa, Isabel Vitória, Tereza, Magno, Rodinha, Graci... Na frente, o nosso saudoso Plínio.

CASA DA NIVALDA - quem viveu não esquece!


Esta cozinha era animada, frequentada por todas as turmas das filhas da Nivalda. Ali, havia sempre um cafezinho na garrafa - melhor chamando um chafé, fraquinho - para todas as visitas. A porta não fechava, era só entrar, atravessar aqueles corredores todos e chegar na cozinha. Esse fogão de lenha ficava lá. Na foto: a Maria Flávia, eu, a Edna, Licinha, Maria do Carmo Soares e a Cláudia.

Na porta, as cadeiras do alpendre, que já acolheram tantos! A mesma turma da cozinha, nas super mini-saias e o nosso saudoso Tony. Quando todo o movimento acabava no Bar XV, a turma ia para o alpendre da Casa da Nivalda e varávamos a madrugada comendo pipoca, conversando e rindo...
Quando íamos dormir, acordávamos com um toque de um violão e uma música: não me canso de falar que te amo e que ninguém vai tirar você de mim...As serenatas do Diô. Tanto vivemos naquele alpendre. Se você tem histórias, mande para o blog.
Se as paredes falassem!

MÚSICA, MAESTRO!



Toninha ( com seu irmão e prima) e Joaquim José em Baile do Gec da rua Dr. Monte Razo.

A Franfarra continua viva!!!


Na década de 70, ficou muito comum os trios e quartetos -inspiração no Quarteto em Ci, MPB4. Em Carmo do Rio Claro de então, tinha o conjunto Ases do Ritmo, que abrilhantava os bailes e o CRC Ritmos. O Job se lembra muito bem, pois fazia parte. Segundo ele, os outros componentes eram: Heraldo, Airton Peres, Da Silva (cantor) e Lelé. Eles tocavam na cidade e arredores. As meninas do Dininho, Mirian e Cide se uniram à Edna (da Ventania) e também fizeram sucesso com o MEC Trio. Elas se apresentaram várias vezes no Cine Guarani.
Nas décadas de 40/50, Tetelo tinha uma banda - a Carolina Jazz.

O Carmo - segundo o Job Milton - já teve uma época três bandas de música, uma delas se chamava Corporação Musical Nossa Senhora do Carmo. Citou essa frase (vou xecar de quem é): "cidade que não tem banda, nem quero passar perto".
Alguém sabe informar se o Carmo tem banda de música, atualmente?

segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011

PELA REABERTURA DO BAR XV!


Na foto: Helena, Salete, Cecilia, Kátia e Áurea
Lancei no Facebook essa campanha, saudadosista ao extremo e muito esperançosa. Quem sabe agora que as nossas Chiquita e Helena não estão na boite, possam nos abrigar em seu abraço. O XV é de matar de saudades! A gente era cliente e era amigo. Todos viviam dentro do bar, trocando os discos, comendo amendoin. Além das duas, a Marly, um trio e tanto! Entre elas, o Jé, botando respeito na casa. Beijos mais acolorados e o Jé já os cortava batendo firme as garrafas sobre a mesa. Tem o XV meu, o XV seu, o XV de todos nós. Só quem viveu o XV pode compreender.
Cartazes de cinema nas paredes, luz negra e as melhores músicas, aliás, o último lançamento. Sempre havia um long play ou um compacto para animar nossos amores, nossas festas. Basta ouvir algumas músicas e pra lá, mesmo agora, nos transportamos.
... não se esqueça de mim, não se esqueça de mim,
não desapareça..de chuva suor e cerveja. Antes do baile, no carnaval, o XV.
Raul Seixas cantava Oro de Tôlo, os Novos Baianos bombavam... De vez em quando entro no Yotube e ouço Yelow River, Mother, Bee J Thomas, Beatles, Credence...

As férias de julho terminaram. Ainda por cima, vinha agosto, agosto de ventos uivantes e mulas sem cabeça. Iam embora nossos amigos, que vieram do Rio, São Paulo, Belo Horizonte e animaram e muito as ruas do Carmo. Que tristeza!
Se me procurassem, me achariam no Bar XV, chorando sobre uma mesa, ouvindo "have you ever see the rain", tomando fanta e comendo amendoin.

sábado, 19 de fevereiro de 2011

HOMENAGEM PÓSTUMA!


Nunca mais veremos o fuska marron do Otair cortar as ruas do Carmo. Parecia até que o Altair estaria sempre ali. Ele atravessou a vida no seu fusquinha e numa tranquilidade... Agora, resta-me levar ele e seu fuska para a minha literatura.
Deixo aqui registrado os meus sentimentos também pela morte do Ralê. Lembro-me dele na década de 70, quando todos os dias eu e a Codô (que ficava hospedada em casa) filava um semidão do Ralê. Ele sempre disponível, extremamente simpático e muito amigo, nunca nos negou o cigarrinho da madrugada.
Que Deus os receba no andar de cima!

terça-feira, 15 de fevereiro de 2011

QUEM FUNDOU A TURMA DO AGUENTA?

(O Joaquim José - que faz parte da bateria - e o Otávio, seu filho -o presente e o futuro do Aguenta)

JUSTIÇA SEJA FEITA!

A turma se reunia na casa do Miro para o batuque, comandado pelo nosso querido Maurício - carioca, marido da carmelitana Norinha. Um sangue carioca correu naqueles dias no Carmo pela primeira vez. Ele fez todos os hinos - Nós somos da Turma do Aguenta, vamos subir à Serra da Tormenta, vamos rapaziada, essa serra é uma parada. Caso você não aguentar, peça à padroeira para te ajudar...Eu estava lá quando Aguenta foi fundado. Desde então, sou do Aguenta. Subo no palanque - aparecida! - levanto a bandeira e danço, até de olho fechado, de tanto que gosto das marchinhas.

No carnaval do ano retrasado, Maurício passou todinho na janela do Miro. Eu, lá em cima, quando tocava os hinos do aguenta, mandava beijinhos para ele, lá do palanque. A grande maioria dos foliões que passava na avenida, cantando as marchinhas - esse ano vou sair de urubu, a grana ficou curta eu vou acabar saindo nu... não sabia que estava ali um dos homens responsáveis pela preservação dessa cultura das marchinhas em Carmo do Rio Claro. Minha filha pequena ficava - mãe, que vergonha, você fica aí em cima que nem uma miss mandando beijinhos. Ela também não sabia o que estava se passando.

Quero parabenizar aqui a família do Miro - tão queridos! - pela constância na guarda da Turma do Aguenta, ao Paulinho, nosso grande cantador, ao meu primo Ricardo - que anda ajudando e muito com o seu gogó - e a todos os instrumentistas que enchem a praça de acordes e os nossos corações de saudades.
Pensa bem, se não fosse o Aguenta, teríamos perdido o carnaval do Carmo depois que saiu do clube - assunto para outros artigo . que saudades dos carnavais do clube. Parabéns ao Maurício e a Norinha e a todos que compõem a bateria do Aguenta.
Faço uma pergunta: O carnaval do Carmo desse ano será solidário? É um achado um carnaval que, ao mesmo tempo que você brinca, ainda doa para as instituições. Muita boa a idéia de se comprar os ingressos nos supermercados e ser convertido em alimentos para a APAE, LAR etc.

E, PELO AMOR DE DEUS, PREFEITA, não terceirize o carnaval com aquela empresa do ano passado, onde o respeito de ir e vir foi muitas vezes desrespeitado. Eu resolvi sair um pouco, ir à casa do meu irmão, usar o banheiro - para evitar os químicos - e fui informada que não podia voltar. É o fim da picada! Que passem uma pulseirinha, carimbem o braço, mas quero andar à vontade. Sair dali, namorar na praça, comer macarrão em outro lugar e voltar, se quiser...

sábado, 12 de fevereiro de 2011

Ai que saudades do CINE GUARANI

Ao final da tarde, o Carmo era envolvido numa melodiosa música. É a única cidade do mundo que, às seis da tarde, junto com o sino da matriz, ouvia-se ... quando amanhece o dia no meu rincão. Era o prefixo do filme. Era o Cine Guarani avisando que a sessão do cinema ia começar. Faroestes, Giuliano Gemma, Dio Come Ti Amo. Muitos tiveram ali momentos de amor, se abraçaram no "reservado" ou pegaram timidamente nas mãos. Ali também, Os Álamos faziam seus shows, assim como a Silvinha e o Sérgio Reis.
Quem já assistiu o filme Cinema Paradiso? Qualquer semelhança com o Cine Guarani é mera coincidência. A fita mostra que um dia acabou a força na cidadezinha italiana, então, o dono do cinema foi lá na frente e contou o final do filme. Isso aconteceu aqui no nosso Guarani, com o Tãozinho relatando o final da história.
Quando a gente era novinha, brincávamos: quem quer casar com um rapaz loiro, de olhos azuis e que trabalha no cinema? Era o filho do Nenê do Eustáquio...

terça-feira, 8 de fevereiro de 2011

ARRASOU!

Olha que maravilha essa foto do César Marinho. Os passarinhos estão formando um oito, o símbolo do infinito.

A LUA CHEIA MAIS LINDA QUE O CARMO JÁ VIU!





(Olha aí na frente a antiga rodoviária, onde funcionou por muito tempo a UEC)

Uma chuva torrencial castigou Carmo do Rio Claro, na década de 60/70. Varreu 0 Carmo com tal fúria, que derrubou a lona do Circo do Bigola. Em casa, abrimos a Bíblia no Apocalipse e queimamos palha benta e clamamos por Santa Bárbara e por São Jerônimo. Nesta mesma noite, morreu um santinho, o filho de uma velhinha, vizinha do Job Milton. Fomos lá e vimos um lamento triste, um ai que varou a madrugada. Uma das paredes da mesma casa,também caiu naquela noite. Depois daquela chuva, onde, claro, apagou a amarela luz da Companhia de Eletricidade, surgiu uma fantástica e maravilhosa lua cheia. Todos saíram às ruas para ver os estragos e para vislumbrar a lua. O Globo da Morte, onde a Ivonete subia e descia com sua moto, vestida de roupa estrelada, estava à mostra, depois da ventania que levou a lona.
Carmo do Rio Claro daquela época lembra-me as cidades medievais. Recebíamos a visita de circos mambembes, ciganos e leprosos. Ai, como temíamos os pobres leprosos que pediam, esporadicamente, às nossas portas. Os ciganos encantavam. Faziam nós, mocinhas desavisadas, correr lá na Rua do Porto para ler as mãos. As ciganas sempre acertavam. Diziam que havia um louro na minha vida e também um moreno. É lógico que acertava. Boa era a aventura de entrar entre as barracas e espichar o olho para dentro daquela vida de cores, de saias rodadas e homens de dente de ouro no sorriso.
Também me lembro do circo Lesco Lesco. Dos teatros, dos pontos que ditavam as falas. Dos corações perfurados, das mães magoadas e das donzelas sofridas. Teve um deles que tinha um conjunto. Qualquer novidade no Carmo daqueles dias, nos atraía. Frequentávamos o circo diariamente para ver o moço do conjunto. Mas, no final, ele namorou outra, a moça mais bonita e rica da cidade.
E tinha ainda os parquinhos "fuleros" com suas canoas. Que delícia puxar aquela corda e voar lá no alto!

Publico aqui na capa o comentário do Diô. Eu realmente não sabia destas informações e agradeço ao meu amigo por sua participação:

"Esse Lesco Lesco é o pai da dupla sertaneja Edson e Hudson. Eles moraram mais de ano aqui no Carmo juntamente com a dupla Cascatinha e Inhana, que aliás seu violão ficou no Carmo, comprado pelo Joel dos Santos, o Lelé".


sábado, 5 de fevereiro de 2011

MUITO ESTRANHO!

O meu amigo, Dionisio Reis, o Diô, mandou uma informação mega interessante. Transmito a vocês.
Numerólogos de plantão, o que acham disto?

Este ano vamos experimentar quatro datas incomum .... 1/1/11, 1/11/11, 11/1/11, 11/11/11 e tem mais!!! Agora vão descobrir, pegue os últimos 2 dígitos do ano em que nasceu mais a idade que você vai ter este ano e será igual a 111 para todos!

ALGUEM EXPLICA ?

quinta-feira, 27 de janeiro de 2011

O TESTAMENTO DE JUDAS!

Vejam que engraçado o texto que o Cesar Marinho (Boquita) enviou para o blog, vocês conhecem esses personagens?

"Nos nove dias do mês de abril de mil novecentos e cinqüenta, nesta cidade de Carmo do Rio Claro, Estado de Minas Gerais, na Casa Lagartixa, de propriedade de meu particularíssimo amigo – o barrigudinho Fernando Macedo, aonde vim a chamado, compareci, eu, Satanás, Tabelião do Vigésimo Quarto Ofício do termo e comarca do Inferno, perante mim compareceu Judas Iscariotis, essa figura impoluta, de caráter sem jaça, da nobre e seleta família dos Iscariotis e Lombricóides – num preito de grande amizade e saudade eterna, lança aqui aos seus diletos amigos e companheiros o seu testamento, esperando assim agradar todos os seus capangas que ansiosos estão para ver a sua caveira.

Então perante as testemunhas incapazes e mesquinhas Osvaldo Alves da Silva, José Severino da Costa, Mozart Gonçalves, Nicanor de Castro e Joel Pereira – me declarou ele testador que queria fazer seu testamento, pelo que me foi ditado, eu o escrevi e é o seguinte:

Eu, Judas Iscariotis, hipócrita, covarde, desclassificado, vacinado contra a peste, o tal que as creolas preferem, porque dizem que eu tenho it, o bilu-bilu da mamãe, o teteinha do papai, enfim o gostozão, deixo aqui o meu precioso testamento, cujos herdeiros serão os meus companheiros de cachaçadas, serenatas e de bailes no Quitandinha. Espero que meus companheiros de traição não se zanguem com os presentes.

Lá vão eles:

Ao Miguel o beque bamba

De canela forte e dura

Deixo meu par da caçamba

E a minha dentadura.

O meu chapéu Panamá

Que veio da Guatemala

Pro cabelo atrapalhá

Deixo ao Dempsey do Balla.

Ao meu amigo Marcelo

Deixo meu terno amarelo.

Ao gostosão Luiz Palacini

A camisa de tricoline.

Ao Zé Alexandre de Oliveira

Os piolhos da cabeleira.

Aos estudantes de Guapé

As minhas meias com chulé.

Ao Miguel Rosa e ao Ladico

O meu adorado penico.

Ao simpático Rubinho

Deixo o meu colarinho.

Ao Fernando e ao Paulo Junqueira

O Antonio Jacinto Ferreira.

Para o Lolô que me ama

Deixarei o meu pijama.

Ao Zé Joaquim o portento

Recomendo o casamento.

O Totó e o Zeca

Repartam a minha cueca.

Para o Marcílio Vilela

O poder de tagarela.

Não posso jamais esquecer

Do meu amigo Siluca

A ele deixo um abraço

E um beijinho na nuca.

Ao meu amigo Ari Balla

Meu companheiro de troça

Prá ele se divertir

Deixo a minha sarna grossa.

A minha chuteira novinha

Que eu ganhei do Zébedeu

Ficará uma gracinha

No pezinho do Amadeu.

Ao René e ao Renato

A cada um um sapato.

Ao amigo Abrão Elias

Deixo minha covardia.

Aos torcedores do Flamengo

Uma Nêga cheia de dengo.

A todos os estudantes

Oito doses de purgante.

Ao simpático Nen Cabral

A morte quando o sol raiar.

O Zico que é chauxfer

Ficará com minha mulher.

Ao Vicente Barbeirinho

Vulgo bigode de arame

Prá engordar um pouquinho

Três bexigas de salame.

Agora chegou a vez

Do Francisquinho e Anício

Deixo minha barrigueira

Meu peitoral e rabicho.

A corda que me enforcou

E que muito me dá saudade

Servirá para enforcar

O amigo Sebastião Trindade.

O meu terninho surrado

Com cheirinho de suor

Prá andar bem alinhado

Ficará para o Nabor.

Ao 1° ano normal

Minha fantasia de carnaval.

Ao Abrão almofadinha

A pose e a gravatinha.

O gracioso Paulo Jacó

Ficará com minha avó.

Ao gorducho Dininho

Deixo todos os meus filhinhos.

Ao Alfeu e ao Domingos

O meu moderno cachimbo.

Para o Corsini e o Abel

2 garrafas de mel.

Ao Mario Vilela Pereira

Uma porca parideira.

Ao Zé Flávio amigão

Deixo todo o meu coração.

Ao Valter que é muito sério

Uma cova no cemitério.

Aos torcedores do Fluminense

Um purgante da água venense.

Ao José Augusto Ribeiro

A profissão de fogueteiro.

Para o Orlando Peres

Deixo o título de alferes.

Ao amigo Abel do Tino

Deixarei meus intestinos.

Ao Miro que é um colosso

Prá fazer bife no bar

Deixo a carne de pescoço

Pois todos hão de gostar.

Recordações, abrações e beijos

Ás alunas da Escola Normal

E uma bomba no fim do ano

São os meus votos sem igual.

Ao barbeiro da elite

O simpático Tetelo

Prá sarar de apendicite

5 quilos de farelo.

Para o amigo estimado

O mimoso Zé Ganguinha

Um arroto perfumado

De conhaque com caninha.

Ao simpático Manuel Prado

Amigo do coração

Deixo minha camisola

E o meu rasgado roupão.

Aos brotinhos do Carmo

Que eu adoro com fervor

Um lugar no Purgatório

Reservarei com amor.

Ao Laudarci Tomaz Elias

A minha cabeça vazia.

E para o Nelson Marinho

O meu lindo bigodinho.

Para o Nenzo e sua amada

Deixo a minha barrigada.

Ao Zé Rita e ao Zecão

O meu cavalo alazão.

E para o Geraldo Cardoso

Pinga com vinho amargoso.

Ao Nadim que é brigão

Deixarei um mosquetão.

Para o ilustre delegado

Uma tigela de melado.

Para o Cine Guarani

Dez filmes abacaxi.

Para o Lú e o para o Breno

Duas doses de veneno.

Ao Nelson Jacinto Ferreira

Deixo toda minha sujeira.

A Apriginho Vieira

Uma gauchinha faceira.

Ao distinto Biésinho

Deixarei um nenêsinho.

Ainda para o José Jonas

Um rabicho e uma sanfona.

O Toninho do João Tito

Ficará com meu cambito.

Ao Bartôlo que é muxiba

E me vendeu o paletó

Deixarei minha barriga

Prá comê-la com jiló.

O Nelson Trindade Pereira

Que é um leal companheiro

Prá tomar uma cachaça

Deixo meus trinta dinheiro.

Para o amigo Rachid

Rapaz esbelto e granfino

Prá fazer a toalete

Uma escova e um pente fino.

Ao Benedito “criatura”

Rapaz correto e distinto

Deixo com toda ternura

Um suspensório e um cinto.

Aos meus amigos malucos

Fernando e Paulo Junqueira

Além de um bom trabuco

Deixo ainda a cartucheira.

Ao Coluci apaixonado

Prá curar a sua sina

Deixarei com muito agrado

Um envelope de guaraína.

E para o Gerson e o Salomão

Minhas calças e o cinturão.

Para o Geraldo Marinho

Deixo dois lindos BROTINHOS.

Ao Luiz Gonzaga Vilela

Deixo o osso da canela.

Ao Fidélis e ao Coringa

Duas garrafas de pinga.

E a calça que é do Rubinho

Devolverei direitinho.

Ao amigo Barrilinho

Deixo o Fernando e o Paulinho.

Ao Domingos Jacinto Ferreira

Uma cinta e uma barrigueira.

Para o Antonio Damasceno

Uma carroça de feno.

O Nilson e o Moacir Vilela

Repartirão minha costela.

Aos torcedores do Glorioso

Um ano bem venturoso.

Ainda ao Fernando Macedo

Três litros de leite azedo.

Ao amigo Nenê Santana

Deixarei uma balzaquiana.

Para o Luiz Soares e o filho

Duas quartas de milho.

Ao Saul cheio de bossa

Uma bengala e uma carroça.

Ao Chiquinho da prefeitura

Deixo um par de ferradura.

Ao Zé Francisco ou Zé Chico

Que está querendo casar

Deixo a tampa do penico

Prá assim poder começar.

Ao Fernando contador

Contador só de potocas

Meu anzol que é um amor

Com caniço e a minhoca.

E ao Zé Ranulfo bancário

Que também já quer casar

Deixo-lhe o titulo de otário

Por tal atitude tomar.

Eu agora me dirijo

Com toda liberdade

Ao Edmundo Soares

O brotinho da cidade.

Prá esse viúvo “Dom Juan”

Que vive a enganar pequenas

Dou-lhe um conselho de irmã

Vá embora prá Alfenas.

A minha prenda d’agora

É para o Alberto Jacó

Deixo a ele minha espora

E uma cueca de filó.

Para o Paulo Magalhães

Que é rapaz apaixonado

Deixo a ele com amor

Meu retrato autografado.

E para toda mocinha

Que não sabe cozinhar

Reservo uma cadeirinha

Prá no Inferno assentar.

A minha viola de pinho

E meu formoso pandeiro

Deixo com todo carinho

Para o Roquinho barbeiro.

E agora para os brotinhos

E balzaquianas também

Um abraço apertadinho

E um beijo do Racém.

E agora prá terminar

Dou o meu adeus eterno

Havemos de encontrar

Nas profundezas do inferno.

Terminando muito bem

Escutem o que vou falar

Não deixo nada a ninguém

Pois foram me ver queimar.

Atenção

A sobra do dinheiro

Que a turma arrecadou

Deixarei ao testamenteiro

Que muito fosfato gastou.

E, assim, eu, Satanás, Tabelião, fiz este testamento, e confirmo ter nele escrito com fidelidade a vontade do testador Judas Iscariotis, que foi lido por mim em voz alta perante ele e as testemunhas presentes.

Assinado

Judas Iscariotis

Carmo do Rio Claro, 9 de abril de 1950

Osvaldo Alves da Silva

Jose Severino da Costa

Mozart Gonçalves

Nicanor de Castro

Joel Pereira