sexta-feira, 21 de fevereiro de 2014

Guerra aos Quilombos

Dizem que tinha um quilombo no Carmo, o Quilombo do Cascalho. quando éramos crianças havia mesmo umas casinhas ao pé da serra, onde moravam uns negros altos. A negra Lúcia que andava pelas ruas do Carmo era remanescente desta família. Creio que eles eram sobreviventes deste quilombo.  
O /Quilombo do Cascalho ficava aos pés da serra.


"Depois de 1735...o governo resolveu promover uma luta geral contra os Quilombos. Autorizou os Capitães-do-Mato, os Mestres-de-Campo, e todos os senhores que tivessem escravaria e milícias próprias, a fazerem `guerra aos Quilombos`. Em troca, o reino lhes daria as terras que conquistassem através de títulos de Sesmarias. Na Picada de Goiás, um dos mais famosos foi o Mestre de Campo Ignácio Corrêa Pamplona. No caminho do Desemboque foi o Capitão Pedro Franco Quaresma. Aqui, na nossa região, porém, o Governo enviou o bandeirante paulista BARTOLOMEU BUENO DE PRADO, o qual lutou vários anos contra os Quilombos e acabou destruindo todos, inclusive os da Ventania, do Jacuí, do Zundu, do Dumbá etc.". (Do livro História de Alpinópolis, de José Iglair Lopes)

Bartolomeu Bueno do Prado era de Pitangui - informa José Iglair - era  neto de Bartolomeu Bueno da  Silva, o Anhanguera.



A SANTA DA VENTANIA

E falando em santos, li uma  história no livro de José Iglair Lopes (História de Alpinópolis pg. 164-165)

“Foi no início de 1899 que surgiram os primeiros rumores do aparecimento de uma Santa em Ventania. A notícia correu rapidamente, trazendo romarias de Minas e de outros Estados, que aqui chegavam em busca de curas milagrosas, conforme matéria vinculada na época, da qual extraímos  alguns trechos:


A SANTA DA VENTANIA

Antônio Celestino
  
  ...Há dois meses, mais ou menos que ocupa a atenção do público a notícia do aparecimento de uma santa, na vizinha freguesia de São Sebastião da Ventania.
... O diretor deste Jornal, acompanhado de um dos nossos repórteres seguiu para aquela freguesia no dia 10, tendo regressado quatro dias depois....hospedamos em casa do nosso amigo Francisco Pio Brasileiro.
...No percurso de meio quilômetro, que é a distância que separa a Gruta da Povoação, encontramos grupos de mulheres  e homens que conversavam sentados à beira do caminho: Eu vi a Santa, dizia uma mulher a um grupo. Eu vi um São José, afirmava um caipira ao outro...nos detivemos por alguns instantes junto de um grupo que se estacionava ao pé de uma barraca que existe no alto...o Sr. Leopoldino, um velho fogueteiro, residente há muitos anos na Ventania e que nos informou o seguinte, sobre o aparecimento da santa:  - dois meninos banhavam-se no lago que existe junto à Gruta, quando ouviram o rumor n´água. Voltando-se assustados, viram que uma mulher de estatura pequena, vestida de branco e com uma capa azul estava sob a superfície da água. Amedrontados com aquela aparição os dois pequenos correram, mas encorajando-se um pouco voltaram, e, como vissem que a aparição continuava no mesmo lugar, um deles, o mais ousado atirou-lhe uma pedra. A Santa, então, voou para outra Gruta, conservando-se ali, até que aparecesse um homem a quem os meninos tinham ido comunicar o fato.

...Cansados de estarmos ouvindo aquela gente fanática, eu e meus companheiros resolvemos caminhar o nosso caminho...Nas proximidades da Gruta, acampados à margem de um ribeirão estendem-se em filas muitas barracas.
...Entre quinhentos e tantos peregrinos que lá encontramos...deste e de outros Estados...morféticos em estado verdadeiramente repelente afirmavam-nos estarem sarando com o suco da água da fonte.
...Não podendo...tomar notas de todas as pessoas que dizem ter-se curado na famosa fonte, tomamos apenas nota dos seguintes nomes... era dificílimo transitar no meio de tanta gente: Antônio Jorge Pinheiros, residente em Muzambinho, tendo feito uso dos banhos acha-se completamente são, tendo deixado as muletas na Gruta. Cândido José da Silva, foi de Santa Rita de Cássia, atacado de reumatismo nas pernas, voltando em estado perfeito de saúde. A esposa do Sr. Francisco Claudino, fazendeiro residente neste distrito acha-se igualmente curada de reumatismo que sofria há muitos anos. Paulo Gonçalves, morador em São José da Barra, sarou de paralisia que sofria em um braço.
...Domingo, dia 12 do corrente, voltamos de novo à Gruta para assistirmos o levantamento de um cruzeiro que havia sido conduzido em procissão. Mais de treis mil pessoas enchiam as imediações da Gruta...
...Para servirem alguns parentes ou amigos tiravam o limo acondicionando-o em pequenos frascos que eram às vezes comprados por 2$000 ou 3$000...
Domingo à noite foi o nosso companheiro surpreendido pela visita do Revmo.Vigário, Padre Vicente Montebelluna e muitos outros dignos cidadãos que, acompanhados pela excelente Banda de Música Ventaniense, e ao estrugir de foguetes se dirigiram à casa do nosso prezado amigo Francisco Pio Brasileiro, negociante, onde se achava hospedado o diretor deste jornal. Aí falou em nome do povo Alpinopolense o talentoso farmacêutico José Ferreira de Págua...”

Segundo Iglair:                                                                        

"Em 18/7/1899, chegava a Ventania o Vigário José Paulino de Andrade, enviado pela Diocese de São Paulo para verificar de perto os supostos fatos extraordinários que estavam ocorrendo na Gruta...
O Visitador registrou nos Livros do Tombo que o povo foi ao seu encontro há quase duas léguas do povoado. Padre José Paulino relata ainda que ficou hospedado na casa de Da.Marianna Carolina Figueiredo. Não deixou nada registrado sobre os acontecimento na Gruta.

E aí, pessoal da Ventania, o que foi feito desta fonte? Restou alguma manifestação religiosa para esta Santa?
A Fazenda do Quilombo é um patrimônio Historico de Alpinópolis. Fica há 6 quilômetros da cidade. Foi construída por escravos e hoje pertence a Valdomiro Paim de Oliveira, que preserva para  a cidade este pedaço de história.












Memória fotográfia - Sul de Minas

Encontrei esta foto na Internet. Distintas senhoritas atravessando a balsa, vindas de Ilicínea para Carmo do Rio Claro.



A foto mais antiga de Passos.
Alfenas


Foto tirada na cidade de Campanha
Em Cambuquira

Curiosidade!

Encontrei uma informação interessante no site guiadascachoeiras.com.br. Segundo ele,  quando as cidades estavam mudando de nome, por exemplo, de Barro Preto para Conceição Aparecida, de  São Joaquim da Serra Negra para Alterosa, de Ventania para Alpinópolis...cogitou-se mudar o nome de Carmo do Rio Claro para Muritiguara, mas o então secretário municipal, Agripino da Veiga Marinho se empenhou junto a autoridades e políticos e evitou a mudança. Neste tempo, o correio extraviava constantemente cartas da cidade para Rio Claro, no estado de São Paulo. E este era o motivo da mudança. Graças a Deus que não nos tornamos muritiguarenses ou muritiguanos. Pensa bem!
A propósito, alguém sabe o que significa muritiguara? Não encontrei no google.

quinta-feira, 20 de fevereiro de 2014

Santos da minha infância;

NHÁ CHICA
"Neta de escrava, filha de ex-escrava e de pai desconhecido, Francisca de Paula de Jesus nasceu em 1810 em Santo Antônio do Rio das Mortes Pequeno, distrito de São João del Rey , vindo o falecer em 1895 em Baependi, onde viveu por mais de oitenta anos.


De acordo com informações atestadas pelo escritor e historiador José de Souza Martins, a avó de Nhá Chica, uma africana trazida de Angola num navio negreiro em 1725, ficou conhecida como Rosa de Benguela. Violentada aos 14 anos pelo seu "amo e senhor", foi vendida e levada do Rio para Minas, onde veio ao morar perto de Mariana. Cativa na Fazenda Cata Preta, viveu 15 anos na prostituição. Aos 30 anos, doente, resolveu mudar de vida. Vendeu os poucos bens que tinha, distribuiu o dinheiro aos pobres e começou a participar de ofícios e liturgias nas igrejas da região.
Sua filha Izabel Maria, a mãe de Nhá Chica, foi alforriada, deixando então de ser escrava. Mulher piedosa, ela pediu a Francisca que não se casasse, para assim dedicar sua vida à caridade.
Obediente à recomendação da mãe, viveu celibatária, cultivando verduras, frutas e flores, e rezando muito. Com esmolas e ajuda do povo, mandou construir uma capela que ficou conhecida como a igreja de Nhá Chica.
A menina nunca foi à escola. Viveu e morreu analfabeta. Lamentava não poder ler a Bíblia, da qual decorava trechos e recitava de cor algumas orações. Rezava diante de uma pequena imagem da Imaculada Conceição, retirando-se para junto dela no quarto, enquanto pessoas que recorriam às suas preces aguardavam na sala.

Segundo relato dos seus coetâneos, Nhá Chica era uma "moreninha clara, olhos verde-gaios, jovial, dengosa, um encanto de criança, alegre e comunicativa”. 
(Fonte: http://www.realidadecristo.com.br/2013/05/conheca-nha-chica.html

 PADRE VICTOR

Monsenhor Francisco de Paula Victor, o conhecido Padre Victor, nasceu na cidade de Campanha, MG, em 20 de Abril de 1827. Batizado na Igreja Matriz da cidade aos 20 de abril deste mesmo ano, como consta na página 62 do livro 9 (1825- 1838) de batizados da Campanha.
Assim, até a idade de 24 anos, viveu e trabalhou como alfaiate aqui na sua terra natal em Campanha, na rua Saturnino de Oliveira (Rua Direita), até a sua ordenação sacerdotal em 1851. Um ano após, em 1852, foi transferido para a cidade de Três Pontas como vigário, onde morreu com 79 anos em 23 de Setembro de 1905.




SANTOS CARMELITANOS

Estes dois santinhos foram contados para nós pela Vovó Alice Figueiredo. De Nhá Chica ela dizia que era de Baependi e levitava. De Padre Victor, que era exorcista. Uma vez, segundo ela, foram exorcizar um demônio, o próprio disse: Só quem pode comigo é o negro beiçudo.

No Carmo, temos alguns santos no cemitério local. A santa SILVERINHA é uma delas. Seu jazigo vive queimando velas de promessas. Era era acometida de várias doenças - câncer, lepra etc... Vivia num casebre, no caminho do cemitério. Quando ia lá fazer novenas, passava na casa da Silverinha. Ela, com um toco de mãos, deformada pela lepra, girava constantemente um terço, rezava dia e noite.

Outro túmulo que arde em velas é o do Padre Risolia. Sei que é parente da minha amiga Salete Maimoni, mas quase nada sei, a não ser que era um santo. Alguém sabe mais?

Vivem dentro de mim também!

Todas as Vidas

Vive dentro de mim
uma cabocla velha
de mau-olhado,
acocorada ao pé
do borralho,
olhando para o fogo.
Benze quebranto.
Bota feitiço…
Ogum. Orixá.
Macumba, terreiro.
Ogã, pai-de-santo…

Vive dentro de mim
a lavadeira
do Rio Vermelho.
Seu cheiro gostoso
d’água e sabão.
Rodilha de pano.
Trouxa de roupa,
pedra de anil.
Sua coroa verde
de São Caetano.

Vive dentro de mim
a mulher cozinheira.
Pimenta e cebola.
Quitute bem feito.
Panela de barro.
Taipa de lenha.
Cozinha antiga
toda pretinha.
Bem cacheada de picumã.
Pedra pontuda.
Cumbuco de coco.
Pisando alho-sal.

Vive dentro de mim
a mulher do povo.
Bem proletária.
Bem linguaruda,
desabusada,
sem preconceitos,
de casca-grossa,
de chinelinha,
e filharada.

Vive dentro de mim
a mulher roceira.
-Enxerto de terra,
Trabalhadeira.
Madrugadeira.
Analfabeta.
De pé no chão.
Bem parideira.
Bem criadeira.
Seus doze filhos,
Seus vinte netos.

Vive dentro de mim
a mulher da vida.
Minha irmãzinha…
tão desprezada,
tão murmurada…
Fingindo ser alegre
seu triste fardo.

Todas as vidas
dentro de mim:
Na minha vida -
a vida mera
das obscuras!

domingo, 16 de fevereiro de 2014

PAISÃO

Biquinho e Natália, no Facebook.
Feliz#Como é bom estar ao seu lado#Vc me faz tao bem!!!!!!Minha vida#Amor q nao se mede#♥♡♥♡♥·♡·♥
Também gosto muito deste moço.

VOVÓS

Mônica e netinha. "Ser vó é voltar a infância de primeira classe"
Maísa Lima com a netinha. Ela mudou para Belo  Horizonte para ajudar a criá-la.
Toninha Carvalho Soares com o netinho Ian, filho da Valerinha.

Crônicas de Belô - Os escritores que conheci

Uma vez entrevistei Roberto Drumond e fiquei sua amiga. Ele estava para lançar ´Sangue de Coca Cola´ e nos encontramos num bar da Savassi, onde ele me deu um livro. Era vaidoso. Era a cara da Savassi. Muitas vezes cruzei com ele por lá. Uma vez, estava indo para a Savassi, quando vi lá longe uma blusa laranja brilhando ao sol. Era ele. Que linda blusa Roberto! - Comprei em Amsterdã.

Outra vez,  no mesmo lugar, Contorno esquina de Cristovão Colombo,  quis contar para ele o princípio do meu livro Hortênsia Paineira. Comecei: “Esta história é e não é mera coincidência. Não se preocupe...Ele interrompeu e  pediu:  Para, para, se não corro o risco de copiar. Vê se pode! Hoje ele virou estátua de pedra e vê a Savassi revigorada, com uma fonte logo à sua frente. Tem também a companhia da escritora Henrique Lisboa, que carrega um livro aberto do outro lado da praça
Eu tive a honra de conhecê-lo vivo e exuberante!
Olhando esta foto, fiquei com muita saudade da energia gostosa de Wander Piroli.
Estudei na FAFI-BH, atual UNI-BH. Faço parte das primeiras turmas de jornalismo e muitos colegas estão hoje ocupando lugares nas editorias. A escola era ali na Av. Antônio Carlos, em um prédio de dois andares. Ao redor, havia lojas, oficinas e o meretrício da famosa Lagoinha. Lagoinha me lembra o escritor Wander Piroli, uma figuraça que tive a oportunidade de conhecer e de trabalhar. Foi chefe da assessoria de comunicação da Belotur. Formado em Direito, tornou-se um dos mais talentosos contistas mineiros da segunda metade do século XX. Mas foi jornalista por toda a vida.


 Eu ia a pé pela antiga Lagoinha, o crack ainda não existia e não estava debaixo dos viadutos. Aquele bairro, tradicional na história de Belo Horizonte, vim a  a conhecer mais de perto no convívio com  escritor Wander Piroli e outros colegas frequentadores da boêmia de BH:. Trabalhei com Alencar Abujanra, Roberto Araújo, Bea Morais, Lenora Rolf, Caio Martins, Tião Martins, Fernando Rabelo (filho do José Maria Rabelo e fotógrafo), Irene Vucovix, Gilberto Menezes, Lauro Diniz (depois foi para a Globo), Tom Zé, Bandeira de Melo... e outros que agora não me recordo o nome. Eles passaram ao longo do tempo nos dez anos em que trabalhei como estagiária e depois jornalista.
Meu caminho da roça era o Maleta, aonde ia religiosamente todas às noites, nos tempos da pensão. Era quase a minha casa a Cantina do Lucas. Levava sempre a última poesia no bolso e ali lia para Paulinho Assunção, que gostava de ouvir, tomando o seu whisky. Na mesa ao lado, um poeta todos os dias ficava escrevendo nos guardanapos. Por ali passavam os meus professores da FAFI, intelectuais, artistas, estudantes, vagabundos da madrugada. Todas as noites passava por lá o escritor Murilo Rubião. Numa destas, autografou um livro seu para mim. Muita honra. A Rosângela Lemos Pereira, minha amiga Rô era amiga chegada de Murilo Rubião. Contou-me que uma noite dormiu na banheira da casa dele, forrada por um colchão. Era um homem solitário e morava em um apartamento na Rua Goitacazes, perto do Maleta.

Carlos Herculano Lopes com França Júnior, que faleceu em um crime terrível na Prudente de Morais. Herculano foi meu namorado. Estudou na FAFI BH também. Hoje trabalha na Editoria de Cultura do Jornal Estado de Minas.

Carlos Herculano Lopes (Coluna MG 1956). Romancista, contista, cronista e jornalista. Com 11 anos muda-se para Belo Horizonte, forma-se em jornalismo em 1979 e inicia sua carreira no jornal Estado de Minas. Estreia na literatura com o livro de contos O Sol nas Paredes, publicado em 1980, com recursos próprios, e vendido de mão em mão em bares e faculdades da cidade e lança seu primeiro romance, A Dança dos Cabelos, em 1984. Em 1989 desliga-se do jornal e muda-se do Brasil, vivendo alguns meses na Argentina e na Espanha. Volta a Belo Horizonte e em 1996 retorna ao Estado de Minas, onde mantém uma coluna semanal dedicada à literatura.

Conheci Adão Ventura na década de 70. Fez poesias de protesto contra o preconceito.
Adão Ventura Ferreira Reis nasceu em Santo Antonio do Itambé, Distrito do  Serro, MG, em 1946. Advogado, formado pela Universidade Federal de Minas Gerais, autor de livros de poesia, sendo os primeiros: Abrir-se um abutre ou mesmo depois de deduzir dele o azul,(Belo Horizonte: Edições Oficina, 1970), As musculaturas do Arco do Triunfo (Belo Horizonte: Editora Comunicação, 1976). Já participou de antologias poéticas em vários países. Teve um de seus poemas incluído na antologia Os Cem Melhores Poemas Brasileiros do Século, organizada por Italo Moriconi ( Editora Objetiva - SP).

 Adão Ventura morreu em Belo Horizonte, em junho de 2004, quando preparava a edição de suas obras completas, reunindo todos os livros publicados e dezenas de poemas inéditos. Viveu os últimos dias em Passos, cidade vizinha de Carmo do Rio Claro.


PARA UM NEGRO

para um negro
a cor da pele
é uma sombra
muitas vezes mais forte
que um soco.

para um negro
a cor da pele
é uma faca
         que atinge
muito mais em cheio
         o coração.



Crônicas de Belô - a volta dos exilados políticos

Eu vi de perto a volta dos exilados. Trabalhava no Jornal Repórter de Minas, um pequeno jornal localizado no bairro Prado. O jornal ainda era feito primeiro em um filme e depois recortado e colado em folhas grandes. Não tinha ainda Internet. O diretor era amigo de sindicalistas e políticos. Lá, vi de perto a volta de deputado Sinval Bambirra, do líder do sindicado dos tecelões, João Luzia, de José Maria Rabelo. Trabalhei com seu filho, Fernando Rabelo, na Belotur. João Luzia não foi para o exílio, acabou vivendo com outro nome como caseiro em Petrópolis. Lá, teve outra mulher e construiu outra família. Com a anistia, revelou para os filhos e a mulher que tinha outra família em Minas Gerais. 

Na Praça Sinval Bambirra, na Avenida Prudente de Moraes, bairro Vila Paris, o Prefeito Marcio Lacerda e o Secretário da Regional Centro-Sul, Harley Andrade, inauguraram um monumento em homenagem ao político e sindicalista Sinval de Oliveira Bambirra. A escultura é de autoria de Marco Paulo Passos e foi doada pela família Bambirra.
Uma estátua para Sinval Bambirra



Sinval de Oliveira Bambirra foi um importante sindicalista mineiro e político brasileiro. A escultura em homenagem a ele foi doada pela família e eterniza a memória de um homem que sempre esteve ao lado da classe trabalhadora, lutando por melhores condições de trabalho, salariais e culturais. Bambirra nasceu em 1933, em Minas Gerais, na cidade de Betim, e veio a falecer em 2003, em Belo Horizonte. Exilado durante 15 anos em Cuba e na Alemanha Oriental, em função do regime ditatorial instalado no Brasil em 1964, Bambirra nunca deixou de lutar pela solidariedade e igualdade entre os homens.

Crônicas de Belo Horizonte - Costumes de província



As melhores histórias que temos para contar é a história da nossa vida. Li isto hoje  pela manhã na revista Galileu. Então, decidi desaguar pelas palavras a minha história, rica em personagens, amores, viagens.  Uma mulher afoita e sedenta de vida e aventura.As pessoas especiais que conheci, as figuras famosas que passaram pela minha vida. Crônicas de Belo Horizonte, onde vivo há 37 anos.



A manhã está fresquinha e sopra o ar das montanhas de Minas Gerais. Moro no alto, no Bairro Cruzeiro. Perto do centro e da Savassi, pontos de referência, mas ainda ouço galos pela manhã e passarinhos. Estou aos pés da Serra do Curral e caminhando em direção ao bairro Serra, a seis quarteirões,  chego ao Parque das Mangabeiras, onde tomo banhos de cachoeira aos sábados pela manhã. Uma metrópole com ares do interior. E embora tenha um trânsito caótico em alguns momentos, devido a obras, é pacata, é o seu jeito de ser. À tardinha, há dois anos, um velho costume voltar para as ruas. O padeiro de porta em porta. Ele toca uma buzina avisando que está na rua e oferece bolo de chocolate, de milho, de cenoura, além do tradicional pãozinho francês. De vez em quando, aqui também passa o – “olha  a pamonha quentinha! Olha o cural!”  Logicamente, não é tão boa como as de Carmo do Rio Claro, mas o bolo de fubá é muito bom.

Na Argentina.


sábado, 15 de fevereiro de 2014

SARAU NA MUNICIPAL



SER TÃO NECESSÁRIO
Edmundo Figueiredo

Saudades muitas vezes necessárias,
Mundo velho, louco e sem porteira,
Aqui chegamos nós, gente faceira,
No café e no açucar, várias áreas.

Faço sempre odes a esta linda terra,
Geradora, esta, de nossa fibra e garra,

Se em alguma tristeza em mim esbarra,
Não me abaixo, com certeza, se ferra!

Nordeste, terra querida, tão distante,
Doeu esta saudade, me fez pequeno,
Isto a princípio, depois tornei ameno,
Com tempo, fui me tornando gigante.

Necessário, justo e bendito sofrimento,
Para, durante toda a linha desta vida,
Fazer lapidar nossa vontade aguerrida,
E levar adiante todo nosso movimento.

Feita esta vida girar no certeiro rumo,
Encaixo-me, perfeito, dentro do eixo,
De fazer valer vontade, nunca deixo,
E, com prazer e orgulho, me aprumo!

Sonho e vida, realizações, concluídos,
Sertão que ficou prá trás, resgatado,
Não deixar nada, que é seu largado,
E sair por aí a espalhar bons fluídos,


Tenho dito e feito!!!!
José Augusto do Nascimento, o violinista do Rosário.

Foto de Eugen Emmerick - Quem é o violinista?



Minha irmã, Tata com Flaviana Cristina, no Sarau acontecido ontem na Biblioteca Pública Municipal. Parabenizo Flaviana pela iniciativa. Ela está agitando a cultura do Carmo. Segundo Tata, foram poetas de vários bairros, um violinista do Rosário (José Augusto do Nascimento), contou com a participação da minha amiga, Heleninha (da Rua do Porto). E, claro, do Júnior, filho do Jair e do Paulinho Carielo, que cantaram. Disse minha irmã, que uma filha da Fátima herdou seu dom e também cantou lindamente. Quem sabe o nome dela?
Sarau na Municipal - mais que um encontro cultural: um encontro de amigos e amantes das artes: com Bruno SantosJair Soares JuniorMaria Helena Ferreira, Juninho Oliveira e Flaviana Cristina.

Uma contribuição


Perdi o bonde da história
Afogo na Internet
E nem sei falar inglês.
Premente vontade de me reinventar.
Assustam-me os dias
O meu apartamento com a boca escancarada
Cheio de dentes
Me mastiga lentamente.
Saudades da fome do corpo
Do fogo da paixão
Inventei uma vida e hoje me cansa.
Há muito silêncio entre nós.
Vivi o sonho de outro
Muitos e muitos dias
 anos e anos
Para viver a sua vida
Tive que adiar a minha.
Hoje, tenho um vazio
Que custa-me preencher
Precisa curiosidade
A velha rebeldia
Ainda que tardia.
Estou numa gaiola.
Minas cresceu ao meu redor.
Suas montanhas me esconderam do mundo.

FLASHES FOTOS DE EUGEN EMMERICH
Fernanda Eugênia
Maria Helena Ferreira, minha amiga, HELENINHA


ILUSTRES CARMELITANOS

NHO NHÔ BENTO

Esta foto eu encontrei no blog
www.conceiçaoaparecidasuahistória.blogspot.com

José Bento de Mello Carvalho (Juca Bento ou Nhonhô Bento) era fazendeiro, proprietário da Fazenda São José, localizada em Conceição da Aparecida. Líder político, foi vereador e presidente da Câmara em Carmo do Rio Claro de 1909 a 1919 e prefeito de 1.1.1923 a 17.5.1927. 

"Sua administração fecunda e brilhante foi, até hoje, sem dúvida, pela quantidade e qualidade das obras de valor executadas, a  mais proveitosa e útil das administrações", relatou o jornal "O Carmo do Rio Claro", nº 113, Ano III, de Domingo, 22.5.1927."O título da reportagem era "Uma administração fecunda de um administrador honesto. Um exemplo de honestidade para os carmelitanos de hoje. 

"Este jornal foi fundado por ele, com José Sebastião de Souza (Dr.Souza), em 14.4.1918, mas ele só o dirigiu até 1919, quando dele se desligou, passando-o para a Família Veiga Marinho. Estudou Medicina até o 2º ano, na Praia Vermelha, no Rio de Janeiro, tendo deixado o curso para assumir a administração da Fazenda São José, atendendo o chamado de seu pai. Líder político de grande influência, também, em Conceição da Aparecida, tendo tido papel decisivo na sua emancipação política e de onde foi presidente da 1ª Câmara instalada em 11.12.1947 e prefeito (de 5.2.1951 a 3.2.1955 e de 15.2.1959 a 3.2.1963 além de vereador em várias outras legislaturas."



Nhonhô Bento nasceu 25.12.1884 na Fazenda São José, à época pertencente a Carmo do Rio Claro. E faleceu em 17.4.1974, aos 90 anos, em Conceição da Aparecida. Foi casado com Maria Odila Lemos, sua prima, filha de Alcebíades José Lemos e de Ana Tereza de Andrade. O casamento foi na Fazenda Taquaral. Faleceu com 83 anos, em Conceição Aparecida, no ano de 1976.

(Fonte: Genealogia da Família Vilela de Carmo do Rio Claro, de autoria de Ana Maria Vilela Soares. (página 249)

Pessoas que fizeram história em nossa região jamais devem ser esquecidas.

Curiosidade!

Poucos sabem que, na subida da Tormenta, mora um homem que pesquisa discos voadores. É o Dilton Figueiredo, meu primo. Ele tem uma acervo sobre o assunto. De vez em quando recebe fotos de luzes fotografadas no Carmo. A pessoa tirou retrato do filho e havia uma luz atrás. Esta eu vi. Estava na Fridoce, quando encontrei com ele, que levava duas fotos. A outra não me lembro o que era.


Algumas histórias, são reais? Ouvi e vou contar. Se alguém é dono destas histórias e quiser revelar mais detalhes e seu nome...

Um senhor, bastante conhecido de todos nós e respeitável, conta que viu três discos voadores voando sobre o trevo do Carmo.

Empregado de uma fazenda arava a terra a noite, quando viu um objeto não identificado. Ele apareceu várias vezes. Ninguém queria mais trabalhar a noite. 

O Dilton contou uma história realmente assustadora:

Uma jovem dormia em uma casa, na rua atrás da igreja. Entre o sono e a vigilância viu três seres ao redor, pequenos e com grandes olhos. Eles examinavam seu corpo. Ao acordar, todos os aparelhos que ela tocava queimavam.

Os Fantasmas da minha vida


Histórias de assombração são comuns no interior de Minas. Todos têm as suas. Gostaria  de pedir colaboração dos seguidores deste blog – CONTEM TAMBÉM OS SEUS CASOS DE ASSOMBRAÇÃO.


Ele vinha vindo pela Rua do Cascalho, que vai dar na igrejinha ao pé da serra. Vinha da casa da Tia Lola, quando viu um coelho que começou a correr, este coelho se transformou em uma mulher alta que o perseguiu até a igreja...

Para mim, a história chegou como se o personagem fosse o papai, não tenho certeza.
Foto do jardim que foi derrubado na administração de Zeca Santana. Esta foto é curiosa.Dizem que aquela figura meio embaçada é o fantasma de uma menina. Será?

Onde hoje é a prefeitura e a rodoviária era um cemitério. Segundo o Job, se revirar, ainda sai osso. Quando da mudança de endereço, recolheu-se os ossos dos coronéis, mas muitos ficaram para trás. Tia Dolores conta que os meninos achavam ossos e que até jogaram bola com um crânio. Cruz credo!
Em cima do cemitério nasceu um lindo jardim. Quem plantou foi Dona Nicotinha, que morava numa casa ao lado. Havia pinheiros altos, imponentes! Ela dizia que cada machadada nas árvores que plantara – uma a uma – era uma machadada no seu coração.

A Valmira do Toninho Pereira me contou:
 Uma mulher passava ao lado do jardim arrastando uma corrente e puxando um carrinho. Disse que eles, da janela da casa da tia, ouviam o ranger do carrinho emorriam de medo daquela aparição.

Na Fazenda
Intervenção em foto antiga da Fazenda Água Limpa de autoria de ED FIGUEIREDO, meu irmão, que é também poeta.


Com os olhos fixos nas labaredas de fogo do fogão de lenha. Noites frias de geada. Todo mundo ao pé do fogão de lenha. A casa, sem eletricidade. À luz de velas, lampiões, velinhas de azeite, as sombras se revezam com as luzes. Ali, ao pé do fogão de lenha ouvíamos histórias de arrepiar. Como dormir depois. A criançada – meus irmãos e os filhos da Tia Naíde – andava agarrada uma na roupa da outra, com medo de olhar a escuridão dos grandes salões.

A Claudete, do Jair,  contou que uma vez levou uma mulher de São Paulo à Fazenda Água Limpa (se não for ela, que ela desminta):
Cheguei à fazenda com uma amiga.  Ao sair, ela perguntou: - Vocês vão deixar aquele preto velho que está na cozinha?

Mais recente, aconteceu com um amigo do Batata, um voador de asa delta:
 Ele entrou e viu na sala, chamada ironicamente pelos sobrinhos de Sala dos Espíritos, um homem elegante. Ficou em sua mente o sapato fino e bem lustrado. Entrou, foi pra cozinha. Comeu e degustou da farta e generosa mesa do meu irmão Joaquim e minha cunhada  e irmã, Toninha. Durante todo o dia procurou um sapato fino e bem lustrado. Não encontrou.

Olhos para o mistério

Mas o mais interessante, eu vivenciei. Tenho uma prima médium, a Beth do Elcino (primo da minha mãe, Nivalda).

Todas as noites, eles se encontram no salão. Uma mulher e quatro homens e conversam.

 O filho da Beth, também médium, dormiu do lado do salão. Mudou de quarto pra fugir do `conversê` dos visitantes noturnos.Bem no tempo que a Beth esteve lá, cercada de curiosidade por todos, principalmente pelos sobrinhos...Afinal, ela via o mundo paralelo. Um rapaz foi filmar a fazenda por dentro e apareceram imagens quase nítidas de um velho sentado, de gravata borboleta, uma mulher, uma criança e até um perfeito cachorro.

Juntou a informação sobre a presença dos ilustres visitantes no salão, perto do quarto do papai, onde dormíamos, não conseguia dormir. Fui assaltada totalmente pelos meus medos.Não gosto de escuro completo. Nele, habitam várias assombrações.

Um caso me arrepiava na infância. Da Dona Alcina, mãe da Salete Maiomoni:
Eu vi uma mulher no canto, com um xale, olhando para mim. Esta mulher veio e se sentou na cama, eu senti a cama abaixar... 

Minha mãe também contava uma visão da infância.
Eu estava em Guapé, na fazenda do Tio Evaristo e da Tia Anésia. Um rio cortava a fazenda. Olhava um rio um dia quando vi uma mulher de xale nas cosas.

Sô Joaquim, pai da Toninha contava de uma aparição. Ele dormia na fazenda, passou em uma casinha mais embaixo, por medo dos fantasmas:

-Todas as tardes eu vejo uma mulher na escadaria, vestida de branco.

Estas histórias e estórias fazem parte do imaginário de Carmo do Rio Claro. Faziam a gente sentir um medo gostoso, permitia um encontro com o desconhecido.