sábado, 24 de maio de 2014

Casa da Nivalda - tem histórias!

Alguns famosos já passaram pela Casa da Nivalda, onde vivíamos na década de 70, na rua Dr. Monte Razo, 55. Muitos dos nossos parentes migraram para São Paulo, após a tragédia das águas de Furnas. Perdas de terra, banzo, pobreza. A rádio convidava para ir para São Paulo... São Paulo é São Paulo, terra da garôa, o povo de São Paulo é muito gente boa. Eu vim para São Paulo e não vou sair daqui. São Paulo conte comigo enquanto eu existir... Na década de 50, o fluxo é para o Rio de Janeiro. Para lá foi o Tio Dario, o Tio Toninho, a Tia Rosina e outros. Foi mesmo na década de 70 que a migração voltou para São Paulo. Os que foram prosperam, venceram, como se diz. É o exemplo do Milton Luíz, que galgou os maiores degraus profissionais, tornando-se o melhor diretor de recursos humanos do Brasil. Ele, o Dito venceram em Sampa. Voltaram às origens e construíram casas no Honduras.
Um momento em frente a Casa da Nivalda. Lá no fundo, o saudoso Ralê, educação pura, muito querido.


Eles voltavam com amigos, os mais diversos, os mais diferentes. O Jói, irmão da Carmo/Pepeca levou ao Carmo o locutor Jorge Helau, da rádio Tupi. Carla que conta. Acordou e de repente ouviu uma voz muito parecida com a voz de um locutor. Descabelada, deu com Jorge Helau comendo rosca na sala. Depois, a Carmo Soares, enfermeira e atriz, levou o pessoal do Grupo Mambembe, do qual fazia parte, para passar um carnaval. Aprendi com esta atriz a me pintar. Ela nos levou ao quarto e nos pintou para o carnaval. Rosi Campos, hoje global. Também fazia parte do grupo Genésio de Barros. Este, frequentou muito a Casa da Nivalda, isto porque namorou a filha dela, no caso, esta blogueira que vos fala.
Genésio de Barros naqueles dias.
Olha o Quinzé pequenininho.


Aquela casa rendeu histórias e está no imaginário de muitas pessoas da  minha geração. Muitos frequentaram o alpendre, que, vim a saber depois, era conhecido por bezerreiro pelos vizinhos. A turma da Ludi - dela fazia parte o Mazarolo, o Boquita, o Adalberto e Adriano, Maria Flávia, Patrícia etc - e a nossa turma - Marcelo, Flávio, Tércio, Luiz Eduardo Palacine, Silvia Vilela, Codô, Edna, Maria do Carmo Soares, Bel, Terezinha, Neusa,  Maísa, Tarcizinho, Ricardo primo, Big Boy, Duda, Fred, Ralê - tantos e tantos outros passaram por ali.

Quando o movimento da cidade acabava, nos idos de 1970, os colegas iam para a Casa da Nivalda. Ela ficava fazendo crochés e pipoca para a moçada, que só saía dali pelas madrugadas. Muitas vezes, eles acabavam ali fazendo uma serenata. O Diô, na época, era assíduo nas serenatas e começava sempre assim - não me canso de falar que te amo. A serenata mais linda que ouvi foi do Fordinho e do Luís Pandeiro para Ana Maria, minha irmã mais velha... A lua vem surgindo cor de prata, do alto da montanha verdejante. ..
Bom mesmo era colocar as cadeiras na frente da casa e prosear. Abaixo, o saudoso Toni, a Cláudia, Maria do Carmo Soares, eu e a Edna, em frente a Casa da Nivalda.
Vovó estava vivendo seus últimos dias no quarto.
 A lua estava escancaradamente cheia. Um momento muito especial.

Pra frente Brasil!

Eu tinha 13 anos, e me lembro bem da Copa de 70. Pela primeira vez víamos a Copa ao vivo e a cores pela televisão. Eu ia assistir os jogos na casa da Dujinha, no casarão que já foi derrubado, na Praça da Matriz.


Era muito emocionante. No entanto, vivíamos numa alienação geral. A ditadura estava nos seus mais duros dias, prendendo, torturando, matando, exilando as melhores cabeças, os nossos artistas e intelectuais. As rádios anunciavam: Brasil, ame-o ou deixe-o. O mais terrível governante desta época negra, o Médici. Ele usou e abusou da Copa e dos jogadores para enaltecer a sua imagem. Mas a gente não sabia disto naquele distante dia no interior das Minas Gerais. Foi muito, muito emocionante quando nos tornamos Tricampeões do Mundo. Saímos em passeata pela rua e, à noite, fomos para a antiga sede do GEC, na antiga XV de Novembro, hoje Camilo Aschar, e pulamos carnaval a noite toda. Foi um dos meus primeiros bailes.


Tanto se passou desde então, outras Copas. Uma delas, acho que quando se tornou tetracampeão, eu estava em São Paulo. Foi quando percebi o tamanho da cidade. Saímos andando e a festa continuava pelas ruas - 100 km de cidade. A interiorana, meio carmelitana meio belorizontina pensava: aqui tem um tanto de Savassi, uma atrás da outra. As manifestações eram pacíficas.
Tetracampeão


O cenário desta Copa de 2014 é uma incognita. Daqui a 3 semanas, começam a chegar milhares de turistas entre nós. Eles vão conhecer um Brasil violento, exigente, destruidor? Tantas ações se encontram atrás destes movimentos, interesses de esquerda radical, interesse da direita, bandidagem por bandidagem mesmo. Há demandas reais nas manifestações, sem teto, sem casa, prejudicados pela Copa. Me preocupa é o gosto de ver o circo pegar fogo. Interessa a quem?

Eu quero receber bem os visitantes e mostrar este lado hospitaleiro, amigo, receptivo do povo brasileiro. Vou vestir camisa verde amarela, empunhar minha bandeira e  me emocionar mais uma vez com o Hino Nacional. Lembro-me de uma das Copas em que os hinos eram traduzidos. Quase todos falavam de sangue, guerra. O hino do Brasil fala da natureza e de paz. Isto sempre me emocionou. Tínhamos antigamente a matéria de Moral e Cívica e me lembro do Tio Milton ensinando sobre a bandeira, a ter respeito pelos símbolos nacionais. Cantei, cantei muito esse hino com toda a força do meu coração e a juventude do meu corpo de então. 



PRA FRENTE BRASIL

Noventa milhões em ação
Pra frente Brasil
Do meu coração


Todos juntos vamos
Pra frente Brasil
Salve a Seleção


De repente é aquela corrente pra frente
Parece que todo o Brasil deu a mão
Todos ligados na mesma emoção
Tudo é um só coração!


Todos juntos vamos
Pra frente Brasil, Brasil
Salve a Seleção


Segundo a Wikipédia, a música" Pra Frente Brasil" foi composta por Miguel Gustavo. Foi cantada pelo país na euforia ufanista gerada pela primeira transmissão ao vivo de uma Copa e tornou-se hino desta edição para os brasileiros. Sua origem deve-se a um concurso, com premiação de dez mil cruzeiros, organizado pelos patrocinadores das transmissões da Copa - Esso, Souza Cruz e Gillete, em parceria com a Rede Globo. 



Nossos heróis.


O ditador Francisco Garrastazu Médici

sábado, 17 de maio de 2014

Meu pensamento passou pelo Bar XV

Os Novos baianos
Preta preta pretinha preta preta pretinha... eu ia lhe chamar enquanto corria a balsa...
Devemos aos queridos do Bar XV - o Jé, a Chiquita, a Helena, a Marly estarmos sempre atualizados na melhor música popular brasileira. Chegavam sempre com a novidade. O bar era nossa casa. Entrávamos lá dentro, íntimos e comíamos o amendoim liberado. Trocávamos os discos da vitrola. Houve uma época que o Bar XV virou boite com luz negra, enfeitado com fotos de artistas de cinema, Raquel Welch, Brigite Bardot. 
Brigite Bardô

Rachel Welch

Crônicas de Belo Horizonte

A Cantina do Lucas
O Maleta por dentro.
O Sô Domingos, personagem inesquecível da Cantina do Lucas dos anos 70/80.
Hoje fui no Maleta, Edifício Maleta, tradicional em Belo Horizonte, na Avenida Augusto de Lima. Na década de 60 tinha ali os "inferninhos', de quem muito se lembra Milton Nascimento e o Clube da Esquina. Ali, era minha casa nos idos dos anos 80, tempo da ditadura. Tinha o "cana" do Maleta. Ali se reuniam os intelectuais, artistas, poetas e estudantes. Saíamos da Fafi BH/hoje Uni BH, ali na Av. Antônio Carlos e íamos para o Maleta. Ali, encontrávamos com nos professores, o Etiene Arreguy, o Orlando, o Elli... Tempo de efervescência na literatura marginal. Tinha sempre um poema no bolso para ler alto para o Paulinho Assunção, que estava lá todos os dias tomando o seu Whisky. Lá pelas tantas, passava o solitário Murilo Rubião, que batia o ponto no "Pelicano". Tinha um poeta que fazia poemas em guardanapos. Dizia-se que ele  morava em um quarto com uma cama e cercada por caixas e caixa de poemas em guardanapos.

Hoje, fui no Maleta de hoje. Tribos alternativas, tipos os mais diversos, um novo homem, um novo de jeito de ser, livre. Havia uma feira de arte gráfica, com muitos livros. Me lembrei dos tempos em que andava ali mesmo vendendo meus livros mimeografados. Nossa, como sou antiga, do tempo do mimeógrafo. Andávamos por lá - Wanderley Batista, José Alexandre Marino, Carlos Herculano Lopes, Júlio Emílio Tentaterra, Adão Ventura, Régis Gonçalves. Tempo do saquinho de poesia de Ouro Preto. Fazíamos saraus, movimentos.

Não há como ir ao Maleta, e não voltar lá atrás. Dá uma espécie de nostalgia,  uma saudade da juventude, uma sede de vida. Fomos ao bar do Santiago, um amigo argentino, que tem um bar na varanda que dá para a rua da Bahia. De lá, o visual de um prédio que hoje abriga o Museu da Roupa, em estilo manoelino, parece uma igreja; ao lado o Museu Inimá de Paula, também em estilo antigo. A lua cheia ajudou, o drink de Malibu com água de coco também e a "fauna" interessantíssima ao redor, o puro novo circulando ao nosso redor, tudo isto fez esta noite memorável.

A ditadura se foi. o Sô Domingos, garçon da Cantina do Lucas, que era comunista convicto e que ajudou a esconder muitos naqueles tempos duros, já se foi. O Pelicano mudou de nome. Murilo Rubião subiu. Paulinho Assunção não sei se ainda vai tomar Whisky no Lucas. Mas ainda circula ali a pura novidade, a contestação. O Maleta continua.

sábado, 19 de abril de 2014

Sebastião José Soares

Muito elegante meu avô, Sebastião José Soares, o Sô Soares. Na foto acima, ainda jovem, este carioca de Morro Agudo que chegou ao Carmo e conquistou minha vó Alice. Para ela, ele escreveu o verso:

ALI SE TEM SÓ ARES DO CAMPO!
Sô Soares 

Sebastião José Soares, o Soares, marido de Alice Figueiredo era carioca, do Rio de Janeiro, de Morro Agudo, Baixada Fluminense. Veio para o Carmo para trabalhar como gerente do Vapor Francisco Feio. O Vapor Francisco Feio desembarcava neste porto, onde o Sô Soares tinha o escritório de café.Tinha um escritório no Porto Carrito. Já casado com Tia Alice, com a crise do café de 29, ele perdeu dinheiro. Vendeu a fazenda no Sapucaí, foi para Nova Iguaçu, Morro Agudo, plantar laranja. Depois, retornou ao Carmo. Tia Alice conheceu os pais de Sô Soares, Dona Joana e Sr. Luiz.  Era telegrafista, sabia as notícias antes de todos, captando sinais do telégrafo no rádio. A família morava no Porto Carrito, onde tinha uma hospedaria. À frente, havia uma grande paineira. Vô Soares, ao voltar ao Carmo, trabalhou na prefeitura.

Curioso!

Na foto acima, as irmãs Figueiredo ainda jovens. Na debaixo, elas já velhinhas: Tia Carmelitana, Tia Lourdes, Tia Rosina, Tia Corina, Vó Alice e Tia Dalica (acho que acertei os nomes). O que eu acho mais interessante é que a foto da vovó Alice, a terceira mulher da direita para a esquerda (no alto) revela nossa semelhança. O tempo passa....

Para encher os olhos com o céu do Carmo...

Foto de Eugen Emmerick, um lapso da beleza em Carmo do Rio Claro!

Lá do Carmo, fotos do César Marinho, o Boquita...


Olha a cara boa do César, tá no Carmo, tá no céu...


Semana Santa em Carmo do Rio Claro

FAZENDA ÁGUA LIMPA - antes e depois

CHÃO

Venho de estrada de terra vermelha
De café e bolo de fubá na varanda
De berrante
Boiada
Rodeio
Venho de tardes sonolentas
Onde zumbido de mosquito é música
Que embala sono
E cigarra tanajura aleluia paturi
Tatu galinha cavalos manga de vez vacas mochas mojando, papai sorrindo
Cheirando à tinta de pena
a suor de campo
 vaca parida na várzea.
Mãe lavando roupa com anil
Cheirinho roxo quarando ao sol
Panelinhas e a gente criando a casinha
Colhendo ovos e alfaces
Matando frangos que saíam pulando sem cabeça porque eu não conseguia não ter dó
então eles pulavam,
mas na hora de dividir
o santo antônio era meu
e o jogo brigado aos gritos
até papai decidir a questão.
Venho de orvalho molhando pés
Leite fresco de vaca
Pai e mãe rezando terço
Desejando boa noite
Barulho de cobras, grilos e sapos
Lá fora no meio do mato.












Os santos da Família Pereira.

Nesta Páscoa, resolvi lembrar pessoas que realmente foram cristãs. Eu tive um tio que era santo. Chamava-se João Teixeira. Era irmão da mãe da mamãe, minha avó Beatriz, também uma santa. Nesta semana santa, vou reproduzir um artigo que sua prima, Rosalda, escreveu em Cascatinha (deve ser alguma fazenda de Barro Preto), em 19 de dezembro de 1934.  João Teixeira era para mim é uma foto que tinha na casa da Tia Anésia e do Tio Evaristo. Eles moravam em um sítio ali no São Benedito. A foto me encantava, coloria os meus domingos, quando deixava meus pais lá fora chupando laranja e ia contemplar aquele moço lindo na parede da Tia Anésia.
Vou reproduzir o português da época:

“TUDO TRISTE
(Pela morte de João Teixeira)

Fecho-me sósinha em meu quarto silencioso e triste para mais uma vez meditar sobre a sua morte tão prematura.
É sob a influência do triste aspecto de um dia de chuva que escrevo estas linhas, parecendo que a natureza toda se compraz em argumentar a minha tristeza...
Quis ver-me antes de morrer... Chamaram-me às pressas. Fui. Quando cheguei, todos me abraçaram chorando e eu tive que me deter na sala atè que passasse um pouco a emoção. Enxugando depois as lágrimas que teimavam em saltar-me dos olhos tomei alento e entrei. Parecia já um cadáver,  mas se a matéria sucumbia o espírito não fraquejava ainda: porque quando abriu os olhos, os grandes olhos, fitou-me tristemente e disse:
- Você chorou; e porque? Isto não é nada., O que poderá acontecer è eu morrer, mas para isso  já estou preparado. Confessei-me hontem e Deus està commigo. E como eu lhe pedisse para não falar em morte elle continuou: - Creia minha prima, que nunca desejei a morte, porque isto não é digno de um christão, mas sempre pensei nella e nunca me esqueci destas palavras da Sagrada Escriptura: - “Lembra-te que és pós e que em pós te tornarás”. E continuou ainda: Deus era Senhor do meu destino por isso o aceitei resignado.
Sahi da casa de meus paes procurando luctar pela vida e fui buscar a morte. Deus assim o quis e eu dou-lhe infinitas graças por me ter permittido regressar com vida a casa paterna, concedendo-me a suprema ventura de morrer no regaço materno, recebendo a benção de meus paes e o beijo de meus irmãos.
Tentei animal-o para a vida, dizendo-lhe que estava muito moço ainda para pensar em morrer e que tomasse com regularidade os remédios para que sarasse e sahisse logo da cama. Respondeu-me: Sahirei amanhã cedo se Deus quiser.
E  com efeito, ás sete horas da manhã do dia seguinte entregou sua alma a Deus. Sim, pode-se ter quasi a certeza de que Deus o recebeu em seu Reino porque sabe que foi um santo e morreu com as melhores disposições de espírito.
Para provar esta verdade copio aqui um trexo de uma carta escripta por elle.
Trexo de uma carta  escripta em 9 de março de 1934:

Sempre bondosa prima,
Recebi tua carta que, como sempre veio dar-me immenso prazer, mormente agora que ando doente e aborrecido.
Tudo para mim tem se tornado nubloso, parecendo que um véu espesso turva a minha existência. Há momentos em que vontades exquisitas.
Estar em um logar ermo, onde só exista o meu Eu, Deus e a Natureza.
Minha prima. Bem sabes que sempre confiei em ti e por isso tomo a liberdade de contar-te todos os meus pensamentos, porque sei perfeitamente que os sabes comprehender. É verdade que nada tens com meus pensamentos, ou melhormente com a minha vida, mas, como já te disse, és a minha confidente e sinto-me feliz em relatar-te os meus sentimentos. O meu ideal, de certos tempos para cá, è ser padre; mas é um ideal que me preocupa seriamente.
Já sou um tanto idoso (25 anos) mas isto não me empediria; o maior impedimento é o meu estado de saúde que não é muito bom, devido aos grandes abalos moraes porque tenho passado de alguns mezes para cá; insucessos em negócios e sobretudo a deslealdade de alguns amigos iníquos.
Tenho pensado que não haverá mais sublime que ser um guia da humanidade. Sim; dessa humanidade actual que irrefletidamente segue a vida a seu bel prazer, esquecendo-se que existe um Deus a quem todos nós temos que prestar contas um dia. Sabes perfeitamente que o século que atravessamos tudo admite e, eu, nas minhas horas de reflexão, penso que se fosse um padre saberia arrebatar essa humanidade perdida do caminho do mal para o caminho do bem; não como um sábio, mas como um devotado ministro de Christo, mormente na actualidade que vejo mundo composto de hypocrisia e falsidade.
Que dizes das minhas ideias? Sinto deveras não gozar boa saúde, sinão poderias contar que daqui a uns oito annos tinhas um primo padre. Mas sei que o meu esforço por mais que seja irá sempre prejudicando e não chegarei a realizar o meu desejo; de formas que contentar-me-ei em ir alimentando os meus doces ideaes.”

João Teixeira não foi um poeta, não foi um artista, não foi um sábio e nem foi um santo. Mas foi tudo isto ao mesmo tempo, porque soube sempre comprehender e admirar o que é bom e bello.
Foi mais ainda um amigo de todos; pobres e ricos, sábios ou nescios. Estimava os ricos e amava os pobres. Admira os sábios e compadecia-se dos ignorantes. E mais que tudo isso, ainda, a sua alma soube sempre compreender o poder supremo do nosso Creador e procurou sempre incutir aos descrentes sua fé inabalável.
Que Deus o tenha em Sua Eterna Glória gosando a recompensa das virtudes que praticou cá na terra. “
Rosalda
Cascatinha, 13 de dezembro de 1934

Publicado no jornal O Carmo do Rio Claro , domingo, 23 de dezembro de 1934
Deixo aqui minha homenagem à família Pereira, meus queridos, avós, meu amados tios. Na família Pereira, além do Tio João Teixeira, muitos outros foram poetas e alguns foram santos. É o caso do Tio Nilton, que padeceu 18 anos em um sanatório para tuberculosos. Como Tio João, saiu para o Rio de Janeiro para buscar a vida e encontrou a dor, mas entre poesias. Escrevia poemas para o jornal local. As cartas da Vó Beatriz para Tio Nilton converteu um colega de quarto a Deus. Dela veio a fé de minha mãe Nivalda, a Mamãe Noela do Carmo, uma das fundadoras do Lar Nossa Senhora do Carmo, ministra da Eucaristia. Ela, veio a minha fé. Nesta Semana Santa, reverencio a minha genética de santos e mártires da família Pereira de Carmo do Rio Claro.

FELIZ PÁSCOA! LEMBREM-SE, PÁSCOA É MUITO MAIS QUE COELHINHOS E CHOCOLATES.

quarta-feira, 19 de março de 2014

Um cônsul no Carmo

O cônsul foi o assunto do dia no carnaval da família em Carmo do Rio Claro. John Dodrell é cônsul geral britânico em São Paulo e  diretor de Comércio e Investimento no Brasil da United Kingdom Trade & Investment (UKTI), organização de desenvolvimento de negócios internacionais do Reino Unido. . Ele é casado com uma amiga da minha irmã, Ana Maria Vilela Soares, Dilsa. Eles ficaram hospedados na casa dela, visitaram a Fazenda Água Limpa e passaram, também, pela Pousada da Mavi, para visitar meu irmão, o Tião da Lola. A família estava reunida numa das casinhas da fazendinha. Sei que só se falava no cônsul, o que servir ao cônsul, que toalha de mesa colocar para o cônsul.... No final, eles adoraram Carmo do Rio Claro e as visitas.

Saiba mais no www.nanademinas.com.br



quarta-feira, 5 de março de 2014

Vamos descansar... respirar...

Antonio Guedes despedindo do Rio de Janeiro, num magnífico pôr do sol.
A bicicleta é do César Marinho, ciclista apaixonado. Roda toda a região do Carmo na sua bike.
A foto é linda, uma pintura. Uma pintura bela e triste. A água está muito baixa!
Ao fundo, a serra que parece um elefante deitado sobre a planície.

CARNAVAL DA ALEGRIA. O pessoal tá postando no Face e eu aqui repercutindo...

É o amooorrr! Um lindo casal! Lucília e Dumato, assim o conheci. Qual é o nome dele Lucília?
A Turma da Lucília,filha do Joaquim José e da Toninha. Lindas gatinhas carmelitanas. Pura animação no Carnaval Alegria.
A Marly e os foliões mascarados.
Saiba quem são eles no site da Nana.
Veja mais no melhor site de Carmo do Rio Claro
nanademinas.com.br

CRÔNICAS DE BELO HORIZONTE: O DIA EM QUE A CAPITAL DE MINAS CARNAVALIZOU

Prometo, é a última vez que falo de carnaval. Mas, gente, é quarta feira de cinzase nem me lembrei disto. Acordei com uma sensação gostosa no corpo, de quem dançou e desopilou todas as minhas mágoas. Esqueci, gente, é quaresma. Mas quaresma passa tão batido aqui na capital. Vou contar só mais um pouquinho. Aqui rolou um carnaval pouco sexualizado, um carnaval politizado, engraçado, criativo e extremamente diversificado. Enquanto os foliões aproveitavam a festa que se espalhou pela cidade, havia opções de jazz, exposições, mostras de cinema etc nos centros culturais.




Rosângela Castro e Mário Lúcio Arreguy, na Praça da Liberdade.
Estou  com saudades do carnaval. Estou com saudades da descoberta. De sair pelas ruas sem saber o que ia encontrar. A surpresa de, já no supermercado, trombar com homens vestidos de mulher e pessoas com colares coloridos. Belo Horizonte é tranquila, pra dentro, discreta. Mas era carnaval e tudo se permitia. O carnaval prometia 1 milhão de pessoas, blocos em todos os bairros. A população tomou as ruas. Quem conhece BH, sabe que todo mundo viajava e, se quisesse sossego, era só ficar aqui. Mas no ano passado o fenômeno começou a se manifestar e a mostrar a que vinha.

Este é meu amigo, Mário Lúcio Arreguy, no carnaval de Belô. Ele é um autêntico belorizontino. É um artista plástico conhecido. Estudamos juntos jornalismo. Depois, ele deu aulas para minha filha Iana. Não nos encontramos, infelizmente. E foi justamente no dia em que dancei marchinhas, sambei e andei atrás de dois blocos sozinha. Grande personagem da cidade. Um querido!

Penso que é consequência, em parte, dos movimentos da Praia da Estação, da ocupação da Câmara que, para festejar a vitória sobre o preço das passagens de ônibus,  ocupou debaixo do Viaduto de Santa Teresa e a rua atrás da estação ferroviária. E por ali se espalharam shows, performances, vários tipos de som;  até um jogo de queimada e um balanço pendurado do viaduto faziam parte do evento. 

A Praia da Estação também tem um conteúdo político. Começou porque o prefeito Márcio Lacerda começou a vender os espaços da praça. Só podia ocupar se pagasse um tributo. Então, a moçada desce para a Praça da Estação de roupas de banho,  jogam frescobol, cantam, dançam... O prefeito desliga a fonte. Então, a moçada contrata um caminhão pipa e todo mundo toma banho..
.
Um ônibus gratuito circulou entre os blocos levando os foliões. Disse a Iana, minha filha, que foi uma festa dentro do ônibus. Ela entrou no circuito do movimento Praia da Estação e foi a blocos diversos. Gostou demais do Então Brilha, que saiu no baixo centro, na Guaicurus até a praça da Estação, onde estava o Bloco da Praia. Foi então que a chuva caiu e ela se esbaldou. Nem precisou de caminhão pipa. De Tarifa Zero foi para a Praça Floriano Peixoto, onde estava o Approach, que tocou de tudo um pouco.

Aqui começou, o povo tomou a praça da Estação em protesto e inventou uma nova maneira bem humorada e prazerosa de protestar.

Teve a Noites Brancas no Parque Municipal e o povo foi, passou por lá a noite inteira vendo a diversidade de artes acontecerem; a Virada Cultural. O belorizontino gostou. 

Político por natureza, a alma mineira brincou e juntou às marchinhas de carnaval críticas políticas. No ano passado, venceu “As Coxinhas da Madrasta”. O vereador Léo Burguês andou cometendo o delito fazendo compras para a Câmara Municipal. Este ano, no concurso de marchinhas ganhou “A Marchinha do Pó Royal”. Ironiza a história do avião de cocaína encontrado em avião dos Perrelas.
Marchinha do Pó Royal, ironia política. Nada bom para Aécio Neves.

“Deixaram o Pó Royal cair no chão/ em pleno baile de carnaval/achei que ia rolar a confusão/mas a turma achou legal./O pó chegou voando no salão/que farra sensacional/deu até notícia na televisão/virou Baile do Pó Royal./O pó rela no pé/O pé rela no pó/O pó rela no pé/O pé rela no pó/Esse pó é de quem tô pensando?/Ah é sim, ah é sim/Você sabe eu também sei/Ah é sim, ah é sim/Não espalha que vai ser melhor”.
Minha filha, Iana Otoni, de tigresa no Baianas Ozadas.

Bia Castro César e Soraya Lacerda no Baianas Ozadas



E foi assim este carnaval muito peculiar que aconteceu. Para grande parte de  nós, que aqui moramos, foi uma surpreendente surpresa. Que bom sair por aí, cruzar com gente fantasiada, ouvir diferentes ritmos. A gente ainda não conhecia os blocos. Fomos atrás sem saber direito. Ficamos conhecendo “As Baianas Ozadas” que cantaram Caymi rua João Pinheiro abaixo até a Praça da Estação. Por ali haviam passado O Samba da Madrugada, Dona Jandira, A Velha Guarda do Samba de Belo Horizonte, culminando com Martinho da Vila. Martinália cantou na Savassi no sábado.
Tambor Mineiro

Lá no Prado, rolou o melhor do batuque com o Mestre Tizumba, hoje ator global, no Tambor Mineiro. No Mercado das Borboletas, rola sempre um som mais contemporâneo, teve lá um funk bom. Teve Soul com o pessoal do Quarteirão do Soul, que é fantástico. Eles se reúnem toda semana perto do Mercado Novo ou na Praça Sete e relembram nas roupas, indumentárias e músicas o som de James Brown. A todo momento eu me lembrava de minha irmã Carla,que ama o rock e que, no Carmo, vive lamentando não ter rock no carnaval. Pois é, teve. Na segunda noite, cansados de tentar ouvir o som no palanque – a acústica não estava boa – dançamos rock no meio do quarteirão. No palco, um grupo especial tocava Beatles e outras músicas em ritmo de samba. Chic demais!

Como uma comportada senhora do Carmo, fiquei ali pela região da Savassi, exatamente no quarteirão fechado da Status, livraria tradicional que acabou trazendo restaurantes para o entorno, transformando o quarteirão em espaço agradável, extremamente prazeroso. Ali, ficavam as famílias, as crianças e nós, da “terceira” ou “segunda” idade curtindo as marchinhas tradicionais, que muito me emocionam. Também os sambas de raiz.
Quarteirão da Livraria Status, na Savassi, um ponto de encontro para happy hours.


Saudade de sair pelas ruas e descobrir um Belo Horizonte novo, pleno de criatividade. Detalhe: não houve maiores ocorrências, tudo rolou em paz, com bloquinhos em todos os bairros. Na terça, teve o Bloco da Esquina, homenageava o Clube da Esquina. Enfim, Belo Horizonte é multi, é um caldeirão de arte em plena fervura.

Vamos continuar ocupando as ruas com shows, performances, movimentos. Uma outra coisa legal que aconteceu recentemente foi o “Dia Grátis da Gratidão”. Nesta versão, foi na Praça da Liberdade. Você levava o que queria doar, se desfazer, sempre em boas condições – livros, roupas, objetos, vasos de flores etc – e levava o que queria gratuitamente. Também se dava abraços, aulas de dança, apresentação de marionetes.... Achei chic demais! Em um tempo tão consumista, um gesto assim tão lindo! Vamos fazer outros por aí?