"Numa determinada época de eleições em Carmo do Rio Claro, o povo muito revoltado com os resultados do pleito, muita gente indignada e com todas as atenções voltadas para os candidatos, o pároco da cidade notou que o povo não estava frequentando a igreja e que o número de fiéis nas missas diminuiu consideravelmente. Colocou-se a pensar em uma maneira de fazer com que as pessoas voltassem. Pensou, pensou e finalmente encontrou uma maneira que considerou viável. Chamou o sacristão e pediu-lhe que conseguisse uma pombinha branca e que no domingo na missa logo após o sermão ele dissesse 3 vezes: "Divino Espírito Santo aparecei para este povo" que ele soltasse a pombinha. Assim fez o sacristão. E o padre anunciou para toda a cidade que no domingo o divino espírito santo apareceria na igreja. No domingo na hora da missa a igreja estava lotada. O padre satisfeito não se continha de tanta alegria e começou a missa empolgado. Logo após o sermão, conforme combinou com o sacristão, falou em voz alta: "Divino Espírito Santo aparecei para este povo". Pela segunda vez: "Divino Espírito Santo aparecei para este povo". Na igreja o silêncio era sepulcral. E antes que o padre repetisse pela terceira vez, o sacristão grita lá de trás do altar: "Seu padre, o gato comeu o divino espírito santo".
sábado, 1 de novembro de 2014
No Dia dos Mortos!
Paulo Roberto Ferreira, o Coró escreve lindamente no Facebook, tem uma memória invejável e se lembra de muitos casos interessantes do Carmo. Veja este
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"E em um sábado triste em Carmo do Rio Claro e ao som da "Ave Maria" Tãozinho anunciava um falecimento ocorrido no dia anterior na cidade. As notas de falecimento eram anunciadas 6 vezes: duas com o alto-falante direcionado para o bairro Cascalho, duas direcionadas para o bairro São Benedito e duas direcionadas para a Vargem. Durante os anúncios toda a cidade permanecia tristemente silenciosa, como que espiando a morte. O som da "Ave Maria" ainda permanecia por algum tempo.
Após mais alguns minutos, Tãozinho aproveita que já está no cinema mesmo, troca a música e anuncia o filme do dia. Era um faroeste italiano com Lee Van Cleef. Sem se dar conta da relação entre o velório e o filme faz o anúncio mais ou menos assim: "E não percam hoje no Cine Guarani a partir das 20 horas um "coboiaço" italiano: "A morte anda a cavalo".
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"E em um sábado triste em Carmo do Rio Claro e ao som da "Ave Maria" Tãozinho anunciava um falecimento ocorrido no dia anterior na cidade. As notas de falecimento eram anunciadas 6 vezes: duas com o alto-falante direcionado para o bairro Cascalho, duas direcionadas para o bairro São Benedito e duas direcionadas para a Vargem. Durante os anúncios toda a cidade permanecia tristemente silenciosa, como que espiando a morte. O som da "Ave Maria" ainda permanecia por algum tempo.
Após mais alguns minutos, Tãozinho aproveita que já está no cinema mesmo, troca a música e anuncia o filme do dia. Era um faroeste italiano com Lee Van Cleef. Sem se dar conta da relação entre o velório e o filme faz o anúncio mais ou menos assim: "E não percam hoje no Cine Guarani a partir das 20 horas um "coboiaço" italiano: "A morte anda a cavalo".
terça-feira, 28 de outubro de 2014
"Face" a Face
Minha irmã, Fatinha postou este regulamento no Face. Afora algumas particularidades da família, ele serve para qualquer cidadão brasileiro. Como no Brasil, nossa família também se dividiu entre os que apoiaram Aécio Neves e os da Dilma. Muitas postagens dos dois lados. Como bons mineiros, nos deliciamos com as discussões, procurando manter o tom democrático e respeitoso. Mas com os posts era possível ferir um ao outro lado. Enfim, um pouco de bom humor é sempre bom! E Fatinha contribui para isto. Achei muito, muito engraçado e decidi dividir com vocês, inclusive a conversa entre os familiares.
Regulamento
Regras para uma convivência Natalina pacífica pós eleição.
Cláusula 1° - Fica proibido o consumo, preparo, encomenda e a fritura de qualquer tipo de coxinha, seja ela de catupiry, de frango, palmito, ou a moda Jundiaiense, de queijo.
Todas as coxinhas serão substituídas por empadinha, bem mais saudáveis.
Clausula 3º - Está expressamente proibido o bullying com estudantes da Universidade Rural. Deverão ser aceitos no seio da família com educação, amor e respeito. Ataques não serão permitidos, mesmo que aluna em questão tire toda a sua paciência ao fazê-los esperar longamente enquanto ela luta exaustivamente para manter sua franja rebelde paralisada sobre a testa. (franja da Bruna)
Cláusula 4° - Quanto a leitura. Está proibida a compra, venda, troca, comentários e principalmente a leitura de revistas em quadrinhos com os personagens “Irmãos Metralhas”, assim como qualquer discussão usando os referidos personagens. Não existe nenhuma censura quanto a leitura de estórias com o personagem Mancha Negra.
Cláusula 5° - Expor mapas do Brasil com divisões entre Norte e Sul, a não ser que integrem Minas Gerais ao Norte. Assim o Mar de Minas será uma praia nordestina (Ai que delicia!). Os que apoiam a divisão favor trazer mudas de coqueiro.
Cláusula 6° - Não poderá haver competição sobre qual partido é mais corrupto, no caso do não cumprimento desta cláusula, favor virem munidos de fontes confiáveis. O vencedor está proibido de comemorar a vitória.
Cláusula 7°- CDs de Lobão,Chico Buarque, Vanessa Camargo e papai, Caetano Veloso não poderão em hipótese alguma embalar a festa.
Cláusula 8° - Os indecisos deverão continuar indecisos, não resolvendo tomar posição justo numa hora destas né? pelamor.
Cláusula 9° - Para não colocarmos Deus numa situação difícil é expressamente proibido rezar em benefício de qualquer um dos candidatos.
Cláusla 10° - Todos da família, desde que saibam digitar ( o que exclui o Ian, fica tristinho não meu amor), poderão incluir cláusulas que julguem apropriadas.
Clausula 11° está aberta a discussão. Pernil de porco é coxa? Se for pequena é coxinha???? Devemos abrir mão desta iguaria mineira em função da paz familiar?
Cláusula 12° a ultima, mas não a menos importante. Todos da família, sem exceção, e desta vez como não precisa digitar, o Yan está incluído, devem levar um presente para a pessoa que trabalhou arduamente na composição deste regulamento.
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| A família em festa na Fazenda Água Limpa. |
Todas as coxinhas serão substituídas por empadinha, bem mais saudáveis.
Cláusula 2° - Os frangos deverão ser servidos sem as devidas partes mencionadas no artigo 1. As coxas desde que sejam de um frango robusto poderão estar na panela. As de Garninzé
nem pensar, estão as 4 delicias proibidas de entrar na travessa. Obs. importante, esta regra não se estende aos frangos vivos.
Clausula 3º - Está expressamente proibido o bullying com estudantes da Universidade Rural. Deverão ser aceitos no seio da família com educação, amor e respeito. Ataques não serão permitidos, mesmo que aluna em questão tire toda a sua paciência ao fazê-los esperar longamente enquanto ela luta exaustivamente para manter sua franja rebelde paralisada sobre a testa. (franja da Bruna)
Cláusula 4° - Quanto a leitura. Está proibida a compra, venda, troca, comentários e principalmente a leitura de revistas em quadrinhos com os personagens “Irmãos Metralhas”, assim como qualquer discussão usando os referidos personagens. Não existe nenhuma censura quanto a leitura de estórias com o personagem Mancha Negra.
Cláusula 5° - Expor mapas do Brasil com divisões entre Norte e Sul, a não ser que integrem Minas Gerais ao Norte. Assim o Mar de Minas será uma praia nordestina (Ai que delicia!). Os que apoiam a divisão favor trazer mudas de coqueiro.
Cláusula 6° - Não poderá haver competição sobre qual partido é mais corrupto, no caso do não cumprimento desta cláusula, favor virem munidos de fontes confiáveis. O vencedor está proibido de comemorar a vitória.
Cláusula 7°- CDs de Lobão,Chico Buarque, Vanessa Camargo e papai, Caetano Veloso não poderão em hipótese alguma embalar a festa.
Cláusula 8° - Os indecisos deverão continuar indecisos, não resolvendo tomar posição justo numa hora destas né? pelamor.
Cláusula 9° - Para não colocarmos Deus numa situação difícil é expressamente proibido rezar em benefício de qualquer um dos candidatos.
Cláusla 10° - Todos da família, desde que saibam digitar ( o que exclui o Ian, fica tristinho não meu amor), poderão incluir cláusulas que julguem apropriadas.
Clausula 11° está aberta a discussão. Pernil de porco é coxa? Se for pequena é coxinha???? Devemos abrir mão desta iguaria mineira em função da paz familiar?
Cláusula 12° a ultima, mas não a menos importante. Todos da família, sem exceção, e desta vez como não precisa digitar, o Yan está incluído, devem levar um presente para a pessoa que trabalhou arduamente na composição deste regulamento.
Como o Natal está longe Feliz Halloween para todos!!!!!!!!!!!!
ME LEVE!
Vai viajar para Carmo do Rio Claro? Agora você tem um roteiro certo e a garantia de bons passeios. As turismólogas, Tetê Lemos e Lucília Soares estão à frente do projeto. Pocure Meleve Turismo e conheça mais que a cidade, também os atrativos dos arredores. Nos roteiros, visitas à Cachoeira da Pedra Molhada, à Fazenda Água Limpa, ao Museu Arqueológico de Carmo do Rio Claro, entre outros.
Segundo a página no facebook:
"A Me Leve Turismo é uma agência de turismo receptivo sediada no município de Carmo do Rio Claro que tem por objetivo apresentar os atrativos turísticos, naturais e culturais da cidade. A princípio, serão desenvolvidos quatro roteiros permanentes e alguns roteiros especiais. Entre os permanentes estão: Roteiro náutico, Fazenda, Cachoeira e Roteiro Cultural.
https://www.facebook.com/meleveturismo/timeline
Praça Maria Goulart, 142 A
Segundo a página no facebook:
"A Me Leve Turismo é uma agência de turismo receptivo sediada no município de Carmo do Rio Claro que tem por objetivo apresentar os atrativos turísticos, naturais e culturais da cidade. A princípio, serão desenvolvidos quatro roteiros permanentes e alguns roteiros especiais. Entre os permanentes estão: Roteiro náutico, Fazenda, Cachoeira e Roteiro Cultural.
https://www.facebook.com/meleveturismo/timeline
sexta-feira, 17 de outubro de 2014
A gota d´água!
As notícias chegam de todos os lados. Montes Claros, Juiz de Fora, Divinópolis, Passos, aqui em Belo Horizonte... a água está evaporando debaixo de um sol escancarado, de uma massa de ar quente que resolveu estacionar sobre a região. Em algumas cidades, como Lagoa da Prata, até os poços artesianos estão secando. Em casa, já adotei algumas práticas: só dou descarga no número 2. Molho o corpo, desligo a água, esfrego, volto a ligar e, rapidamente, tiro o sabão. Enquanto ainda tenho água para economizar. Pela primeira vez, na semana passada, o bairro Cruzeiro não recebeu água em suas caixas. O relato se repete em todos os outros bairros. O poder público se cala. Parece que espera as eleições. A COPASA faz um alerta fraco na televisão, sobre o desperdício. Tem que ser mais contundente, mas criativo, mais direto ao falar com a população.
Temos que ser rápidos. Fazer leis, como estão sendo feitas em algumas cidades, penalizando quem entorna água potável lavando calçadas. Mexam-se vereadores! Esta é a ordem do dia!
Estou aqui pensando, como posso contribuir por esta causa, em Carmo do Rio Claro e entorno do Lago de Furnas, mesmo de longe, daqui, do meu computador. É jogando sementes, distribuindo boas ideias. Foi assim que pensei que - aqui falando de Carmo do Rio Claro - minha terra natal... que está vendo a água que chegou fazendo estragos na década de 60, já incorporada à vida e à sua história, agora indo embora.
A caixa d´água do Brasil está secando. É inacreditável!!Uma vez um nordestino veio ao Carmo e perguntei, o que mais o impactou? - Esse mundão d´água... Esta planta pede socorro!
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| Ed Figueiredo |
CAMPANHA
Diretores e professores das escolas de Carmo do Rio Claro. É preciso envolver os alunos, crianças e jovens, sensibilizando-os pela causa. Penso que é preciso envolvê-los na conscientização do uso consciente da água, no plantio de árvores, na preservação nas nascentes, levando as matérias de história, geografia, ciências, nas redações de português... para estes temas, pertinentes. São urgentes! Eles podem levar o conhecimento para seus pais e cobrar.
Envolver cada criança, cada jovem, dar a eles, por exemplo, uma tarefa: plantar uma árvore, regar uma árvore do jardim. Pesquisar: quem tem nascente em sua fazenda? Ensinar a preservar as nascentes. Fazer um levantamento das nascentes do Carmo. Falar sobre como evitar erosões (não é Licinha, rainha das Voçorocas?), que assoreiam os rios. Os meninos podem contribuir. Nós podemos contribuir.
Fiz esta chamada no Facebook: "Ei professores do Face - ei Vera Mônica, Nilzinha, Elza Lúcia, Lúcia Carielo, mesmo as aposentadas; vamos ajudar neste processo?
Mandei mensagem em off para a Marlene, a 'Rodinha' sobre esta preocupação minha. Ela deu uma resposta super positiva. Recebam os parabéns.
Mandei mensagem em off para a Marlene, a 'Rodinha' sobre esta preocupação minha. Ela deu uma resposta super positiva. Recebam os parabéns.
"Acho ótimo. Estou aposentada mas trabalho no Colégio Vencer que é conveniado ao Sistema Objetivo. Estamos fazendo um trabalho com os alunos sobre a questão ambiental. Uma turma foi à Água Limpa e tiveram aula sobre isso. Conheceram nascente...plantaram árvores na escola. ...e o trabalho está muito bom."
Fiquei, também, de mandar perguntas para a Elaine Pimenta, que disse ter plantado muitas árvores em sua fazenda. Vou mandar e divulgar aqui no blog, ela é um exemplo!
domingo, 12 de outubro de 2014
A fazenda renasceu!
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| A Fazenda Água Limpa restaurada. |
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| Aqui, uma intervenção feita pelo meu irmão, Edmundo Figueiredo, em cima de uma foto antiga da fazenda Água Limpa. |
Tempos bem menos consumistas!
Estes dias estive pensando como hoje somos dependentes da geladeira e como consumimos muito mais coisas industrializadas que nos anos 50/60/70... A geladeira lá de casa era como esta da foto. Guardava praticamente carne e manteiga. Vovó Alice fazia também alguns picolés de gemada. Água gelada, não tínhamos o hábito. O que comíamos?
Lá em casa, fazia-se goiabada para o ano inteiro. E levávamos de lanche pão com goiabada todos os dias e todos os dias era bom. Faziam um pão redondo - deste em tenho saudades - enchiam várias latas e um bolachão econômico chamado Bolacha Sá Lia. O pãozinho francês amanhecia na porta todos os dias, entregues da padaria do Joaquim Pio. O leite vinha da fazenda, também as frutas. Verduras, as da época. Pamonha enchia a geladeira e era distribuída para todos os vizinhos. Tempo de fartura!
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| A fartura permanece nas boas casas carmelitanas. |
Carne, matava-se porco, guardava na gordura. Quando fomos para São Paulo, nos saudosos anos 1975/76, mamãe levava carne na gordura pra gente que, então, comíamos bem. Gordura, usava-se a de porco, mas óleo também. E tinham as 'quintadas', aquelas delícias mineiras, quebra-quebra, palito, rosca de canela, pau-a-pique... Uma tentação!
Na geladeira, apenas um enorme taco de carne para alimentar aquela família imensa da 'Casa da Nivalda'. Moravam por lá, nesta época, mamãe e seus 7 filhos, o Joaquim com a Toninha e os meninos que foram nascendo, a Elisa, o pai da Toninha, Sô Joaquim, o vovô, que logo faleceu e a vó Alice. Uma vez, o marido alemão da minha prima Dagraça ficou sentado à porta contando quantas pessoas entravam ali todos os dias. Além da família toda a turma da Ludi, toda a nossa turma - Carla, Cláudia e Cleise.... Aos domingos vovó recebia suas amigas e oferecia um almoço. Entre elas, uma negra de sorrisos largos e constantes, a Porfíria. Fora os 'loucos' da cidade, que adoravam acampar por ali. Uma vez, achamos o Delegado dormindo no sofá, a Lúcia bêbada desmaiada na porta, já assisti os 'acessos' da Gerarda.
Uma vez, a Maria gritou à porta:
- Nivarda, tem Sulino? Larguei a pinga peguei com o Sulino... E tinha o vinho Sulino, dei a ela um copo e ela saiu cambaleando em direção ao Rosário, dizendo - quanto vortá, quero vortá assim...
Falando em gastronomia, não me esqueço dos jantares que a vovó fazia, cumprindo promessa, para a Cia. do Menino Jesus. Lembro-me da macarronada, do frango assado e do garrafão de vinho tinto. E da emoção que sentia quando eles começavam a cantar... a chegada desta casa, chegamos com alegria, aqui está o Menino Deus filho da virgem Maria...
sábado, 20 de setembro de 2014
Museu Arqueológico Antonio Adauto - Um verdadeiro tesouro!
Da última vez que fui a Carmo do Rio Claro visitei o Museu
Arqueológico Antônio Adaulto, um
verdadeiro tesouro. Fui recepcionada por Suzana Leite, filha do Antônio, e que
nasceu junto com o museu, quando as primeiras peças foram encontradas. Sempre
tive curiosidade de saber como tudo começou. Então, com simpatia, ela contou:
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| Foto de Fábio Silva |
“O primeiro achado foi de Seu
Zeca Ferreira, do Barreiro. Na região do
Carmo existem cerca de 170 sítios arqueológicos”. O museu tem 45 anos e foi
guardado por todos estes a nos na Fazenda Panorama, da família, por Antônio
Adauto, um verdadeiro guardião. “Furando uma cerca no Barreiro” – continuou –
“achou um pote (que está no museu), com
um buraco no fundo. O primeiro sepultamento era feito em um pote furado para
drenar os líquidos, alguma coisa relacionada com o espírito. Eram enterrados
com todos os pertences; em posição fetal. O tempo passava, tiravam os ossos e
faziam um segundo sepultamento, em igaçabas menores, aproveitava-se a urna funerária para outros corpos. Os índios eram chamados Catuauá, homem bom;
outros os chamavam Guararapes. O arqueólogo Edson Luis Gomes registrou tudo em
fotos e fez do museu matéria para sua
tese de mestrado. Catalogou mais de 3 mil peças, entre urnas, machadinhas, mãos
de pilão, ponta de flecha, cachimbos, ponta de lança, fundas, quebra coco.
Segundo Suzana, tem ainda muita coisa guardada.
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| Foto de Fábio Silva - Veja na parede, as fotos de Renato Soares. |
A maior parte do tesouro
arqueológico do Carmo está submerso no Lago de
Furnas. Os vestígios da civilização indígena estão em várias fazendas de
Carmo do Rio Claro. Na Fazenda Água Limpa foi encontrada uma igaçaba que está
no museu, além de machadinhas. Suzana conta que sua avó Flavita tinha 3
machadinhas. “Meu pai pensava, todo
mundo acha, por que eu não? Começou a procurar. E começou a achar. Quando a
terra era arada, onde tinha vestígios arqueológicos a terra ficava mais escura,
então, ele cavava. Também costuma haver pedaços de cerâmica. “Nasci e cresci
dentro do museu. Quando ele começou a encontrar, eu tinha um ano. Ele me
colocava dentro das igaçabas para ver o tamanho dos índios ali colocados, minha
mãe se preocupava de pegar alguma bactéria. Ficava lá em posição fetal e ele
analisava”..
Na região de Carmo do Rio
Claro – segundo Suzana – tem dois sítios arqueológicos Tupi Guarani, seus
vestígios estão em cerâmicas trabalhadas, achamos que eles vieram do mar
fugindo para o interior. “Existem sítios
de acampamento dos Guararapes ou Catuauá, oficina, habitação, cemitério e cerimonial. Na Fazenda Panorama ficava a oficina de
flechas, muitas pontas de cristal foram encontradas na região. Segundo meu
primo Ricardo Pereira, na verdade, elas são de sílex, o cristal é muito duro,
não dá para ser moldado.
Suzana começou a sair com seu
pai para achar também. Só ele encontrava. Então, passou a ir à frente e
encontrou a sua primeira ponta de flechas, tinha 13 anos. “Fiquei tão feliz,
achei tão importante”.
Visitar o Museu Arqueológico
Antonio Adauto é uma verdadeira viagem. No acervo: fusos de rede, brincos de
orelha, adornos de cabeça, pingentes, objetos cerimoniais e utensílios de uso
cotidiano; tem até um meteorito. Suzana
contou que uma vez foi visitar o museu um índio Kraô, diante de uma das peças
ele cantou. Perguntei por que cantou?
Ele disse que a peça traz o
equilíbrio para a aldeia dos opostos, o frio e o calor, a seca e a chuva e só
cacique e o pajé podem pegá-la. Enriquece
ainda mais o museu a fotografia do mestre Renato Soares, que mostra cenas dos
índios do Xingu.
https://www.facebook.com/museuarqueologico.antonioadauto?fref=ts
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